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O dinheiro não é tudo
Rui Mendes está morto há oito anos. O assassino, Hugo Inácio, em fuga
O dinheiro não é tudo. Tenho nojo de viver num País em que uma instituição de utilidade pública tem dinheiro para pagar a um treinador campeão do Mundo mas não para pagar a indemnização cível pela morte de um adepto num espectáculo tão pacífico como deveria ser um jogo de futebol.
O dinheiro não é tudo. Passaram oito anos. Aliás, mais de oito anos. Foi no dia 18 de Maio de 1996 que Rui Mendes perdeu a vida numa final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting. Oito anos depois, o Supremo Tribunal de Justiça condena, finalmente, a Federação Portuguesa de Futebol a pagar 47 mil contos à família da vítima. Que deixou mulher e dois filhos. Sozinhos há oito anos. A FPF ainda pondera recorrer a mais um artifício jurídico para não pagar já. Oito anos.
O dinheiro não é tudo. Não é incrível que este país tenha tido dinheiro para organizar o Euro'2004, para pagar mais de 35 mil contos por mês a Scolari - que nada tem a ver com isto... -, para construir dez estádios, mas sem que tenha aparecido uma alminha que se lembrasse de pagar à família de Rui Mendes? Belas prioridades.
O dinheiro não é tudo. Este caso é sintomático. Rui Mendes está morto há oito anos. A FPF continua em dívida. E o assassino, o energúmeno Hugo Inácio, continua a monte. Fugido da justiça. De forma pouco digna para o processo e que em nada abona às entidades envolvidas. Mas, afinal, que raio se passa aqui? Já não nos indignamos com nada? Tudo isto é normal? Não, obrigado.
O dinheiro não é tudo. Todo este processo é sujo e feio. É mesmo asqueroso. Sinto alguma vergonha. Este tema devia ter sido manchete mais vezes. Andamos mais ocupados com contratações e pseudoguerras entre Pinto da Costa e quejandos. Que dois anos depois fazem as pazes e comem um leitãozinho da Bairrada. Rui Mendes jamais o fará.
O dinheiro não é tudo. Espero que a FPF pague finalmente. E se não o fizer, que o Governo lhe corte todos e quaisquer apoios até que isso aconteça. Seja com dinheiro da Sagres, da Nike ou da farinha Maizena. Paguem. Nós podemos ajudar. Prefiro que os meus impostos sejam canalizados para aí do que para os salários do Marítimo ou para os assessores de Paulo Portas.
O dinheiro não é tudo. É por tudo isto e mais alguma coisa que não tenho muita pachorra para ver um jogador milionário a dizer que o dinheiro não é tudo na vida. O mesmo que deixou o clube anterior porque a proposta não chegava. É preciso ter muita lata.
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Cláudio Saúde04 novembro 2026 - 18:03