O discurso e a malapata de Jesus

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O discurso e a malapata de Jesus
O discurso e a malapata de Jesus

A vitória do Benfica na Supertaça, complicada mas justa face à qualidade da exibição, parece ter tido o condão de deixar Jorge Jesus mais descansado em relação à temporada 2014/15. Os desaires e as prestações pouco conseguidas na pré-época, em jogos que o técnico diz serem “a brincar”, foram praticamente esquecidos. O responsável encarnado, no lançamento do embate de estreia na Liga, perante o Paços de Ferreira, mostrou-se mesmo bastante confiante, falando não só em ganhar, mas também em praticar um futebol acima da média.

Jesus é, de facto, um treinador muito crente no seu trabalho. Para ele não existem impossíveis. Contudo, por vezes, dá a ideia de perder um pouco a noção da realidade e tende a exagerar nas expectativas. E isso é perigoso, pois o discurso com a fasquia bem lá em cima costuma arrastar sócios e adeptos e, naturalmente, pode acabar por se virar contra si mesmo. E por muito que o técnico queira transmitir uma mensagem de segurança, a verdade é que este Benfica é, na teoria, uma equipa menos poderosa do que a da temporada passada. E se ainda sair mais alguma figura de proa – é cada vez mais improvável a permanência de Enzo Pérez –, o problema tende a agravar-se. A menos que o técnico já saiba que vêm aí dois os três verdadeiros reforços. Sim, se Jesus considera que os embates disputados na fase de preparação foram apenas “a brincar”, deve compreender que, para quem está de fora, o Benfica não fez ainda uma contratação “a sério”. Talisca talvez possa dar boa ajuda; Derley deverá ser uma solução interessante quase sempre a sair do banco, mas tudo o resto não convence ninguém. E Jesus sabe por experiência própria que não se consegue atacar uma época tão desgastante apenas com um núcleo forte de 13/14 jogadores.

Mas, antes das grandes decisões, o treinador benfiquista tem de se preocupar logo com o encontro inaugural na Liga. É que o técnico nunca venceu o primeiro jogo do campeonato ao serviço do Benfica. Será desta? Condições objetivas para tal existem, mas nas épocas anteriores também estavam reunidos os ingredientes necessários e a coisa não funcionou. As águias, apesar de terem ganho os quatro últimos troféus internos que disputaram, não estão com muita margem para errar. Eo discurso de Jesus, todo em alta, é uma pressão suplementar.

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