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FUTEBOL À PORTUGUESA

O drama de Quim

Estranho destino o de Quim, guarda-redes do SL Benfica.

O Benfica comprou-o numa altura em que Moreira estava a jogar bem, tendo ele de se contentar com um lugar de suplente. E, quando Moreira teve de ser substituído, o Benfica não deu uma oportunidade a Quim: foi buscar a Setúbal um guarda-redes chamado Moretto. Foi preciso este dar meia dúzia de frangos históricos para Quim ser chamado. E agarrou o lugar. Tinha custado – mas o seu momento no Benfica chegara.

Na Selecção Nacional o caminho também não foi fácil. Embora toda a gente duvidasse da segurança de Ricardo, Scolari apostou nele e Quim ficou à espera de vez. No último Campeonato da Europa esse momento parecia ter chegado mas o destino voltou a pregar-lhe uma partida: lesionou-se num treino e a oportunidade foi-se.

Só que a verdade acaba por vir ao de cima como o azeite. E, com a troca de Scolari por Queiroz, Quim ocupou finalmente a baliza nacional. Parecia que se lhe tinha feito justiça. Após anos a ser vítima de equívocos, a enfrentar azares, a sofrer injustiças, conseguia o reconhecimento merecido: era o dono da baliza do Benfica e da equipa de Portugal.

Mas há pessoas que decididamente não nasceram viradas para a Lua. E quando parecia ter tudo a seu favor o céu decidiu desabar-lhe em cima: sofreu 6 golos num só jogo da Selecção e logo a seguir 5 golos num desafio do Benfica. E contra isto, batatas!

Depois de vencer tudo e todos, Quim viu-se derrotado por si próprio. Porque não pode imputar a terceiros os 11 golos seguidos que sofreu. Não pode desculpar-se com ninguém: tem de os assumir pessoalmente. É este o seu drama.
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