O "duelo" Jesualdo-Bosingwa

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Parece que o "caldo" entornou no Dragão com as declarações do lateral Bosingwa após o empate na Reboleira. Consta que Jesualdo Ferreira não gostou do que ouviu. Tem esse direito, claro, mas o mesmo se aplica ao futebolista. Teria o jogador de concordar com o técnico só porque, hierarquicamente, é isso que convém fazer? Não me parece. Afirmar "o que o treinador diz é problema dele" é ofensivo? Não. Quanto muito é uma resposta brusca, mas verdadeira. Em Portugal, está mais do que visto, o pessoal gosta é de ouvir declarações de "robots" disfarçados de futebolistas, debitando conversa fiada tipo "vamos trabalhar mais e levantar a cabeça; estamos imbuídos ou o jogo teve duas partes distintas".

Jesualdo teve todas as razões para criticar a forma como o FC Porto desperdiçou 2 pontos com o Estrela. A ganhar 2-0 perto do fim, os campeões jamais poderiam consentir o empate, ainda por cima com erros graves de Helton e Stepanov. Assim, o treinador esteve bem em "puxar as orelhas" aos seus homens.

O responsável técnico ficou tão irado que, sem rodeios, disse que "a equipa não foi séria e humilde". Creio, efectivamente, que tem alguma razão, pois os jogos só acabam aos 90 minutos e não aos 85 ou 86. Mas, convenhamos, que sinal dá o treinador aos atletas quando, aos 70', retira Lucho, o homem mais influente da equipa juntamente com Quaresma? Não foi Jesualdo o primeiro a passar a ideia de que o assunto estava arrumado? Mesmo sabendo que é preciso gerir o esforço dos jogadores e que o argentino vinha de uma lesão foi aí, no meu entender, que o FC Porto começou a deitar fora a vitória.

Aliás, nas surpreendentes derrotas com Fátima (Taça da Liga, esta época) e Atlético (Taça de Portugal, na temporada transacta) não foi o treinador, ao escalar um onze recheado de suplentes, quem facilitou ainda antes das partidas começarem?

A época competitiva é longa, é verdade, e cada vez tem mais jogos, até porque aos compromissos dos clubes é preciso adicionar os das selecções, mas sempre que um técnico diz que vai dar oportunidades aos suplentes e mexe em 7-8 elementos, em vez de 4-5, o resultado é desastroso. Os "promovidos" pouco acertam e as equipas "tropeçam" contra quem quer que seja. Jesualdo já devia ter percebido isso, pois se "brincar" com a Taça da Liga (como Camacho fez no Benfica) ainda se compreende face à inexistência de uma compensação atractiva ao vencedor da prova (presença na Taça UEFA), o mesmo não se aplica quando os jogos são válidos para a Liga, Taça de Portugal ou Eurotaças.

Em resumo, Bosingwa vai ter problemas quando regressar ao Porto mas, como nem tudo é mau, já sabe que da próxima vez, quando instado a comentar um empate ou uma derrota do seu clube, deve começar por dizer: "... apesar das boas substituições do técnico, os jogadores não foram sérios e humildes"...

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