O efeito Jonas

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O efeito Jonas
O efeito Jonas

1. Jorge Jesus tinha dado no dérbi um claro sinal de que o plantel do Benfica não era confiável. Ou pela falta de qualidade no banco de suplentes ou pela chegada tardia de reforços, o treinador dos encarnados tomou a opção, quase inédita, de realizar uma única substituição na partida com o Sporting, fazendo entrar Derley para o lugar de Talisca a escassos quatro minutos do final do encontro. Além de sublinhar a existência de problemas nos outros sectores da equipa, o treinador dos encarnados deixou uma eloquente mensagem ao presidente Luís Filipe Vieira e seus pares de que faltavam alternativas credíveis para um ataque que perdera Rodrigo e Cardozo no defeso. O inconformismo de Jorge Jesus foi tão evidente neste período que, além de reclamar insistentemente a contratação de um avançado com características semelhantes à do hispano-brasileiro contratado pelo Valencia, fez com que Talisca avançasse num ápice da posição 6 ou 8, onde o utilizou no início da pré-época, para uma surpreendente, mas também condenada, dupla com Lima. Os dirigentes fizeram-lhe, por fim, a vontade. Já com o mercado de transferências encerrado, chegou o desempregado Jonas, pouco depois de Samaris e Cristante terem sido também contratados, e foi reconhecido, pelo menos tacitamente, que a primeira fase de construção do novo plantel do Benfica estava ferida de morte. Agora com Jonas, um avançado de créditos firmados, pese embora o passado recente vivido em Espanha, o Benfica passa a ter um onze inquestionavelmente competitivo para o plano interno, apesar de o fosso para o FC Porto, protagonista de um investimento fortíssimo, não se ter estreitado de forma significativa.

2. Vítima da sua teimosia, mas fundamentalmente de uma nova geração de talentos no futebol português que não teve hipótese de se afirmar em tempo útil, Paulo Bento deixou de ser selecionador nacional. A substituição da equipa técnica não resolve, contudo, o problema de fundo e que limitará por certo a ação a curto prazo do próximo treinador da turma das quinas. O atual núcleo duro teve o seu apogeu no Euro’2012 e, não obstante os valores e os resultados desportivos obtidos nos escalões de formação, ainda não existe maturidade competitiva suficiente para que a Seleção Nacional retome rapidamente o caminho do sucesso.

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