O emigrante
Saiu de Portugal, já com 23 anos, sem nunca ter alinhado na Liga. Os grandes duvidaram das capacidades dele e os outros nunca quiseram investir meia dúzia de euros para resgatá-lo aos escalões secundários. João Alves (outro profissional estupidamente desaproveitado) apostou no jovem e lançou-o na aventura de Salamanca, sem custos para o clube espanhol.
O avançado magricela, olhado com desconfiança por doutos olheiros, espiões encartados ou pseudo- prospectores, cometeu uma proeza inimaginável num passado recente. Pauleta bateu (com 2 golos à ponta-de-lança) o recorde do senhor Eusébio da Silva Ferreira.
É certo que os números são demasiado frios. O valor futebolístico do açoriano não se pode comparar ao do “Rei”, mas, o voo do açor na noite do Dragão faz-nos reflectir uma vez mais. No desporto, na ciência, na cultura, enfim, nos mais diversos quadrantes da nossa sociedade, raramente tiramos proveito do que temos de melhor. Pelo menos em tempo útil. Ainda bem que há Selecção.
