O fim do ciclismo

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Não sendo um grande apaixonado pelo ciclismo, dedico-lhe, ainda assim, a atenção suficiente para saber o que se passa a cada momento. Sei quem são as principais figuras; as equipas mais fortes e, evidentemente, não perco as imagens das principais voltas. E desde que tenhamos um português em acção... procuro estar sempre por dentro, pois torcer pelos nossos é um autêntico vício.

Para mim, o expoente máximo do ciclismo são as etapas de montanha. Não quero com isto dizer que viro a cara a um contra-relógio decidido ao segundo ou a uma apertada chegada ao "sprint". No entanto, sempre gostei mais de ver os grandes protagonistas, horas a fio, a subir e descer rampas enormes.

Posto isto, acrescento que não é fácil dizer que estou farto do actual ciclismo. Mas essa é que é a verdade. A triste, crua e nua realidade.

Como é que podemos estar interessados em acompanhar competições onde, pelos vistos, a maioria dos atletas gosta de misturar suplementos vitamínicos com esteróides ou proteínas com hormonas disto e daquilo?

Antigamente, o flagelo do "doping" apanhava, quase sempre, ciclistas de segunda linha. Por vezes, passavam-se anos até uma "truta" cair na "rede". Agora, já nem isso. Rara é a semana que não sejamos "bombardeados" com mais relatos inacreditáveis sobre transfusões de sangue, tráfico de produtos proibidos e outras "maroscas" de fazer corar muita gente.

E não se pense que são os atletas os únicos envolvidos neste triste espectáculo. Familiares, amigos, treinadores e médicos (não deve ter sido bem para isto que tiraram um curso tão exigente) também alinham no esquema, ajudando a transformar, mais tarde ou mais cedo, os heróis das estradas em farrapos humanos. Basta recordar o que aconteceu com Pantani...

Perante este cenário, parece-me óbvio que o ciclismo está ferido de morte. É preciso "fechar a loja", "varrer o lixo" e reabrir depois, com cara nova e lavada.

Acredito, claro está, que ainda existe gente honesta na modalidade. Mas são esses, em primeiro lugar, que devem clamar pela "limpeza". Caso contrário correm o risco de ver o seu nome associado aos outros, aos batoteiros, aos que tudo fizeram, ao longo dos tempos, para acabar com a beleza do ciclismo.

É justo dizer que esta não é a única modalidade onde o "doping" ataca forte e feio. Mas, a avaliar pelas últimas notícias, é onde o número de infractores é maior, com as grandes figuras quase todas, pelo menos uma vez na vida, a serem "apanhadas".

E nem os ciclistas portugueses escapam a esta cinzenta moda. E tal como os companheiros de profissão lá de fora, a única coisa que sabem dizer é que isto é tudo um engano. Pois, pois...

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