O fim esperado
Quando ao início da manhã escrevi sobre a relação entre Adriaanse e Pinto da Costa ainda não sabia da demissão do treinador holandês embora os "desencontros" entre os dois não deixassem antever nada de bom. Havia indícios mais do que claros que Adriaanse não estava disposto a deixar que se metessem no seu trabalho e que Pinto da Costa não queria abdicar do papel determinante que sempre teve na formação dos plantéis do FC Porto.
Adriaanse deixa o FC Porto com um bom currículo mas sem ter ganho as simpatias dos adeptos. Está longe de ser um treinador de topo porque se é verdade que conseguiu dois troféus numa época, cometeu muitos erros e se mostrou pouco perspicaz em situações em que se exigia que jogasse com uma equipa destemida (como aconteceu na Liga dos Campeões), mas teve incontestavelmente o mérito de pensar pela sua cabeça, fazendo uma clara separação de poderes.
É por não permitir que se metam no seu trabalho que se demitiu. Fê-lo em casa, onde é agora ainda mais respeitado. E o que se pede neste momento a Pinto da Costa? Que aja depressa mas de forma bem pensada para que não se repitam os erros de 2004/05 quando escolheu surpreendemente Del Neri para também nos príncipios de Agosto ficar sem equipa técnica depois de o demitir.
Nessa época foram três os treinadores (Del Neri, Fernandez e Couceiro) e o destino foi igual para todos: o despedimento. Os resultados desta política, em que se temeu que Pinto da Costa tivesse perdido os dotes de arrojados actos de gestão, foram dramáticos para o FC Porto. Se o presidente dos dragões não conseguir evitar erros desses, o saldo poderá ser desta vez ainda mais negativo.
