O futebol que temos

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Um golo obtido em nítida posição irregular, aliado à não marcação de uma grande penalidade cometida por Luisão, esteve na origem da vitória (sofrida e injusta) do Benfica diante do Sp. Braga. Mais: os 3 pontos conquistados permitiram às águias recuperar a liderança da Liga. É que o subitamente rejuvenescido Trofense voltou a fazer das suas. Dias depois de ter roubado o comando aos encarnados (impondo-lhes o primeiro desaire no Campeonato), fez ao mesmo ao FC Porto, saindo com um impensável nulo da visita ao Dragão.

Toda esta emoção no topo da classificação, mais do que provocar “stress” à maioria dos adeptos – e oferecer milhares de euros às casas de apostas que proliferam na internet - prova algo que muitos teimam em não querer admitir: os grandes, mesmo continuando a gastar somas astronómicas em comparação com os outros, sentem cada vez mais dificuldades em ganhar os seus jogos. Em determinadas situações, tal fica a dever-se a erros próprios mas, de uma vez por todas, convém assumir que, em Portugal, o futebol está a ficar seriamente competitivo. Tal não significa que a qualidade dos espetáculos seja sempre (ou muitas vezes) agradável. Mas no que se refere a equilíbrio, parece óbvio que a atualidade já nada tem a ver com o que se passava há 20 ou 10 anos. Por acaso já repararam que, em 14 jornadas, Benfica e Sporting desperdiçaram 13 pontos e o FC Porto 14? É praticamente 1 pontinho por ronda...

E se os principais emblemas cá do burgo não fossem, ao mesmo tempo ou à vez, “empurrados” pelas “distrações” dos homens do apito, os pontos perdidos podiam ser mais. Nesta última ronda foi o Benfica quem “encheu a barriga”. Foi beneficiado directa e indirectamente, pois no empate do FC Porto também existiu vista grossa a uma penalidade cometida sobre Lisandro. Mas, sejamos realistas, no final do Campeonato, as contas dos grandes estarão mais ou menos certas, ao invés do que se passará com os outros. Os clubes de média e pequena dimensão é que costumam ter razões efetivas para se queixar. Os mais mediáticos, mais tarde ou mais cedo, são ressarcidos dos erros que sofrem. O Benfica, por exemplo, já recuperou os pontos que lhe tiraram diante do Nacional...

Mas, nestas conversas de golos mal ou bem anulados, de penáltis inventados ou ignorados, ninguém devia gritar alto entre os maiorais do futebol nacional. Todos dizem que não querem falar da arbitragem, mas mal se sentem prejudicados... aí estão eles “a chorar” ou a atirar farpas aos rivais. E como não poderia deixar de ser, só abrem a boca quando, objetivamente, são prejudicados. Quando lhes toca o tal “empurrãozinho milagroso”, esquecem-se de o citar, reservam comentários para mais tarde ou fazem-se de distraídos. Todos diferentes, todos iguais!

Razão tem Jorge Jesus ao afirmar, no seu estilo brejeiro mas genuíno e certeiro, ser impossível, por enquanto, em Portugal, alguém intrometer-se, “a sério”, na luta pelo título com os grandes. E como tivemos oportunidade de ver domingo na Luz, o problema não é a falta de capacidade futebolística. A exceção a esta realidade, descontando o longínquo sucesso do Belenenses, só aconteceu porque se reuniram uma série de condições que, por norma, não se conjugam! Certo?

PS – Quique Flores, contrariando as previsões, manteve Moreira na baliza do Benfica. Acertou em cheio, o guarda-redes foi só o melhor elemento das águias, com destaque para a defesa essinada quando lhe apareceu Rentería (o colombiano continua a falhar golos feitos na Luz) sozinho pela frente.

PS 1 – Bruno Alves tem tanto de bom jogador como de descuidado quando, por vezes, se esquece que, no futebol, a cabeça e os pés só devem acertar na bola. As críticas que os jogadores do Trofense lhe dirigiram no final do embate do Dragão são justas. Vamos ver é se servem para alguma coisa.

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