O grande jogo da época

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O grande jogo da época
O grande jogo da época

1 O primeiro vencedor e o primeiro vencido da temporada serão conhecidos hoje no Estádio do Dragão. O FCPorto-Sporting desta tarde é, para já, o grande jogo da época, não só porque uma das principais equipas portuguesas ficará prematuramente arredada de um objetivo prioritário às mãos da rival, mas também porque as partidas de maior cartaz até agora disputadas proporcionaram muito poucas ilações. Num campeonato tão longo, os empates no Benfica-Sporting, logo à 3.ª jornada, e no Sporting-FC Porto, à 6.ª, tornaram-se irrelevantes para as contas do título. Mas o clássico do Dragão é, simultaneamente, um jogo que encerra muitos perigos para Lopetegui e para o próprio projeto que o FC Porto quis patrocinar. A exigente plateia azul e branca dificilmente perdoará ao espanhol o eventual desaire de uma equipa recentemente enriquecida por um investimento brutal, frente a outra que ainda não passou do estatuto de remediada. Se os 4 pontos de desvantagem para o Benfica na Liga ainda pouco significam, uma hipotética eliminação em casa diante do “novo inimigo” poderá ter efeitos devastadores.

2 Na recente entrevista que Jorge Jesus concedeu a Record, o treinador benfiquista, sempre no seu jeito genuíno, desassombrado e, por vezes, politicamente incorreto, colocou o dedo na ferida quando o tema em análise foi a formação e, mais especificamente, o aproveitamento do potencial dos jovens portugueses. O técnico dos encarnados apontou uma evidência que muitos teimam em aceitar. No dia em que o futebol português contemplar quotas para jogadores estrangeiros, não só perderá competitividade em termos europeus – o atual 5.º lugar no ranking da UEFA passará a ser uma miragem –, como pouco beneficiará o crescimento dos valores emergentes.

Aqueles que são realmente talentosos já mostraram que dispensam tal protecionismo, nem que para singrar na carreira precisem de escolher outras paragens. A Seleção sub-21, que recentemente se qualificou para a fase final do Europeu contando por vitórias os 10 jogos realizados, é o exemplo vivo disso mesmo. Trata-se de uma geração que cresceu ao lado de estrangeiros de qualidade muito razoável ou ganhou o seu espaço fruto do seu valor intrínseco e não da nacionalidade.

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