O Guttmann do jogo

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Basta recordar as capas dos diários desportivos de ontem para medir a importância que Lopetegui atribuía a este jogo frente aos ucranianos. Para o treinador do FC Porto este era o "jogo mais importante do ano". 

E o que conseguiu o errático técnico? Uma derrota por 2-0, uma exibição dececionante num estádio a meia haste, e mais uma demonstração do que não se deve fazer a uma equipa: com uma só substituição, mexeu em toda a defesa e também nos equilíbrios do meio-campo. Se tamanho vórtice tático pudesse dar resultado, o treinador que soprou o furacão seria um génio. Mas as equipas vivem de estabilidade e confiança. Mudar toda a defesa para virar um resultado negativo por um golo é inventar por inventar. Talvez Lopetegui padeça de um erro de avaliação por ter sido guarda-redes, mas a sua vocação para mudar a estrutura da defesa mereceria uma valente admoestação do grande Pinto da Costa do passado. Hoje, o homem inventa, inventa, e ninguém lhe diz que é proibido inventar para lá do razoável. Que as equipas só entendem o que faz sentido. Que os homens só se sacrificam quando acreditam.

Voltemos aos títulos dos jornais de ontem: o diário mais próximo da propaganda do FC Porto até prometia, de Lopetegui, um exorcismo sobre os números conseguidos por um génio, da tática e da condução de homens, chamado Bela Guttmann. Estou curioso para ver a capa de hoje, agora que o basco voltou à sua real condição de treinador mediano e desastrado catalisador de vontades tendentes a vitórias épicas. Sublinhemos que vencer o Dínamo em casa nem tem muito de épico. Guttmanns, Pedrotos ou Mourinhos não nascem por milagres em capas de jornal. 

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