O imposto Ronaldo

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O imposto Ronaldo
O imposto Ronaldo

Agora é possível sonhar. E os melhores sonhos são os possíveis, mesmo que difíceis. O sonho é estar no Mundial do Brasil. O possível, o óbvio exigível, é não perder na Suécia, principalmente quando se tem um dos mais velozes jogadores de sempre em sprint com a bola controlada. E este jogador soma ao atributo da velocidade com bola muitos outros, que fazem dele o melhor do Mundo, por estes meses.

Os suecos vão ter de atacar. Essa é a melhor notícia que nos trouxe a noite de ontem. A Suécia vai jogar ao ataque. Ronaldo é, na forma em que está, absolutamente letal no contra-ataque. A dinâmica em que a Seleção mais se pode assemelhar ao Real Madrid é exatamente a da passagem de uma defesa persistente para um movimento rápido no contragolpe. Que as diagonais evidentes, pedidas por Ronaldo, sejam possíveis aos pés de Moutinho, Veloso ou quaisquer outros que Paulo Bento lance para este derradeiro passo até ao Brasil, é o desejo de todos.

Na lógica tranquila e estável de Paulo Bento, só alguma lesão poderá operar mudanças na equipa. Sem mazelas impeditivas, os onze que ontem se uniram a ouvir o Hino serão exatamente os mesmos que entrarão em campo na Suécia. Aí, alguns dos defeitos que venho apontando desde há muito poderão fazer mossa nas nossas aspirações legítimas. Os laterais de Portugal defendem mal. Fecham de forma deficiente no centro e são muito faltosos. Será necessária atenção a estes detalhes, que devem ser verbalizados para poderem ocultar-se no meio de uma vontade coletiva férrea.

Nani vale, nos dias que correm, muito menos do que Varela. Mas ontem foi menos decifrável o divórcio entre o ala que ainda habita em Manchester e a primeira figura que Nani julga poder ter sido. Varela defende melhor, é mais estoico na entrega à equipa, mas será certamente Nani a entrar em campo.

Esta não é a altura para questionar as escolhas de Paulo Bento: que seja Nani a decidir o jogo na Suécia, ou João Pereira, ou Coentrão. Qualquer nome será boa notícia.

Que os pontos fracos se tornem fortes, e que tudo nos corra bem. O nosso povo bem precisa de alegrias. Estarmos no Mundial não acaba com a crise e a austeridade. Mas um pouco de felicidade coletiva ainda não paga imposto.

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