O jogo do século
Está a jogar-se um dos embates mais importantes da história do futebol. Não, não é o Benfica-Porto, esse é o jogo do mês. É o jogo do Sporting contra a banca. Ou melhor, do Sporting contra as suas dívidas. A situação está a chegar ao limite: faltar dinheiro em Alvalade.
O Sporting depende de linhas de financiamento no BCP (o seu maior credor) que não estão garantidas. Estas informações não são públicas, são de fontes do Negócios. Houve reuniões nos últimos dias com os bancos para decidir sobre estes financiamentos, que pela primeira vez não estão a ser automaticamente aprovados. O Sporting continua a vender passes de jogadores, rapando o fundo aos ativos. O tempo está a esgotar-se.
Eis uma situação nova na infernal vida financeira deste grande clube: poder não pagar despesas e dívidas. Se os bancos não aprovarem estas linhas, entraremos num território que os portugueses infelizmente conhecem: os “mercados” fecharem-se ao Sporting.
Há anos que se fala nisto. Aqui mesmo, nesta coluna, há dois anos falámos desta insustentabilidade financeira e de como, numa crise generalizada de financiamento, é uma questão de tempo até as “falências técnicas” deixarem de ser uma abstração contabilística e passarem a sentir-se na pele dos trabalhadores, acionistas, credores – e da instituição. E isso, que assola milhares de empresas, e o próprio Estado, chegará aos clubes.
A situação é trágica e deve deixar tristes todos os amantes de futebol, mesmo os que não são amantes do Sporting. Os clubes não são divindades imunes às revoadas. O que se segue é negociação com credores, que pode evoluir para mais um “balão de oxigénio”, uma reestruturação, antecipação de receitas ou, no limite, um incumprimento: perdão forçado de parte da dívida. Há “troika” para o Sporting?
