O líder da Seleção

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O líder da Seleção
O líder da Seleção

Há duas dimensões que devem ser observadas no espaço da Seleção Nacional: uma diz respeito principalmente aos adeptos, que gostam de ver projetados na equipa das quinas alguns dos seus valores e fantasias. É a dimensão da identidade e da paixão, sublimada positivamente, quando se ganha – e negativamente, quando se perde. Mas há uma outra dimensão que se transfere e se vive no âmbito da Seleção Nacional, nem sempre bem percecionada do lado de fora: a dimensão do negócio ou, se se quiser, a Seleção enquanto “centro de negócio”. E, neste particular, foi possível achar um ponto médio de convergência, no trajeto para o Euro’2012, à boleia de Cristiano Ronaldo.

A Seleção Nacional deixou de ser, há muito, uma coisa para românticos. Cante-se ou não o hino a plenos pulmões, e embora haja um diferencial muito grande entre aquilo que os jogadores auferem nos clubes e aquilo que ganham ao serviço das respetivas Seleções, o que faz correr os atletas nos tempos que correm não é a Pátria mas ainda assim o dinheiro. Estamos a falar, em muitos casos, de transferências indiretas, não exatamente de verbas que saem diretamente dos cofres das Federações, mas de contratos que se estabelecem em razão da “força comercial” dos atletas, aqueles que naturalmente estão sob a mira dos patrocinadores.

As “desistências” de alguns futebolistas da Seleção Nacional, sobretudo em fim de carreira, resultam em grande parte da interpretação sumária de que, observadas as vantagens e desvantagens, “o que se ganha” não compensa “o que se perde” – e então o esforço é todo concentrado nas receitas proporcionadas pelo emblema que se representa.

Não é mais ou menos “amor à camisola”. Não está em causa a casinha ou o monumento dos afetos. Está em causa mais ou menos dinheiro.

Cristiano Ronaldo é o jogador mais bem remunerado do Mundo. O Real Madrid paga-lhe um salário que ronda os 12 milhões de euros anuais. Não serão certamente os prémios pagos pela FPF que o fazem correr. São todos os contratos que estão subjacentes à sua presença nos grandes palcos futebolísticos da Europa e do Mundo.

A par da dimensão do negócio, Cristiano Ronaldo está a atingir agora o ponto máximo da sua dimensão desportiva: já foi Bola de Ouro e Bota de Ouro; já conquistou o título de campeão europeu pelo Manchester United – e como é intrinsecamente super-competitivo (a sua maior qualidade) não abrandará a sede de conquista tão cedo. Com uma particularidade: mais velho e mais maduro, ele está a um pequeno passo de se transformar, efetivamente, num “centro de poder” nas organizações por onde passa. Não o foi no Manchester United. Começa a sê-lo no Real Madrid, numa luta muito difícil com Casillas e tem agora a oportunidade que nunca teve antes, a esse nível, na Seleção Nacional.

Frente à Bósnia, no Estádio da Luz, esteve o (novo) líder da Seleção Nacional – Cristiano Ronaldo. Numa dimensão que não havia sido ainda observada.

NOTA – Se simulou lesão, como é que Bosingwa apareceu entre os pré-convocados de Paulo Bento?...

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