O mau rapaz
Sérgio Conceição é um jovem treinador de elevado potencial. Foi um jogador de grande qualidade, com experiências no estrangeiro, ao mais alto nível. Cabe-lhe a ele decidir até onde quer chegar, agora no banco de que sempre fugiu como jogador.
Os atletas gostam da liderança de Sérgio Conceição. O treinador é sabedor e sagaz, mas deita tudo a perder demasiadas vezes por indisciplina gratuita, que mais parece birra. A imagem de "bad boy" (mau rapaz) não pode ser exagerada, nem banalizada, como Conceição tem deixado acontecer nos últimos tempos.
Tomemos como exemplo o jogo com o Sporting: o Braga tinha entrado na segunda parte sob grande pressão do Sporting. Quase encostada às cordas nos primeiros vinte minutos, o Braga voltou ao jogo, com bonitas fases de domínio e substituições bem geridas pelo seu técnico. De súbito, a 15 minutos do fim, Conceição lança gestos agressivos sobre o árbitro para contestar uma inócua falta a meio-campo.
No final do jogo, sobre a sua expulsão, Sérgio Conceição disse que já está habituado. Pois convém que se desabitue, ou então um dos mais prometedores técnicos que Portugal criou nos últimos anos vai ficar muito aquém do que o seu potencial prometia.
Escusado será dizer que, após a expulsão do líder, a equipa desconcentrou-se, perdeu força, até àquela louca correria do seu guarda-redes, até fora da área, que deu origem ao livre da derrota, batido em plena inspiração por Tanaka.
Sérgio Conceição não deve perder nada daquela energia que expele para os seus homens no terreno, não deve algemar a inteligência emocional que o leva a decidir bem em segundos. Mas tem de mentalizar-se para aceitar a soberania dos árbitros, contra quem deve reagir apenas em casos de extrema injustiça. Banalizar a indisciplina, é cortar a si mesmo asas talhadas para altos voos.
