O medo também joga

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O medo também joga

Na passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa, pode o FC Porto encontrar o cimento que una peças até agora desencontradas. O que vale estruturalmente aquele 3-3 saber-se-á já amanhã frente ao V. Guimarães. Porém os portistas que não se iludam, a equipa continuou cheia de buracos defensivos e sem uma convincente ocupação de espaços. Mas os jogadores mostraram vontade e essa foi a grande diferença face aos jogos mais recentes. Todos os portistas, à exceção de um irreconhecível Jackson, entregaram-se totalmente ao desafio de passar a fraca equipa alemã – mais fraca do que o V. Guimarães, atenção – e ainda assim sofreram imenso.

Pinto da Costa já teria certamente um plano B na manga para o caso da equipa soçobrar na Alemanha. Algures no universo azul e branco um técnico estaria já identificado e disponível para ser anunciado aos adeptos, depois de Pinto da Costa ceder a muito custo aos pungentes pedidos de Paulo Fonseca para ser libertado do compromisso de dirigir o plantel. É assim Pinto da Costa.

Com esta passagem de eliminatória, Paulo Fonseca ganha um segundo fôlego, que, porém volta a novo teste decisivo em Guimarães. O técnico portista garante que não sentiu o seu futuro em jogo no relvado de Frankfurt, Fonseca ou é muito distraído ou está a ocultar os sentimentos – pose perfeitamente legítima.

Aquele era sem qualquer dúvida um jogo decisivo para este jovem treinador. A eliminação europeia manteria insuportável o ambiente em torno da equipa. Como voltará a ficar, no caso do FC Porto cair na intermitência que o tem caracterizado, com novo desaire em Guimarães.

Agora os atletas já sentiram a pressão, até física, que o Porto pode exercer sobre quem não lhe serve as vitórias a que está habituado. Nesta época mais cinzenta que as sólidas paredes da nobre cidade do norte, a única jogada à Pinto da Costa foi forçar as máquinas dos craques a passarem pelo meio da turba furiosa, após a derrota com o Estoril. Pelo que se pode ver na Alemanha, a medida atingiu os efeitos desejados.

Se os jogadores não se entregam por galhardia, amor próprio e dever profissional, ao menos que o façam por medo.

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