O melhor do Mundo no Dragão

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O Manchester United parece ter comprado um passe especial para, independentemente do nome do opositor, vir com regularidade até ao nosso país disputar partidas das competições europeias. Desta feita, volta a caber ao FC Porto a dura - mas bem aliciante - tarefa de fazer frente ao campeão inglês, europeu e mundial! Em causa estará a qualificação para as meias-finais da Liga dos Campeões.

Desportivamente seria difícil aos dragões terem emparelhado com um adversário mais complicado. O United possui uma equipa recheada de jogadores talentosos, actua de forma compacta e agressiva em quase todos os jogos, exibe uma experiência internacional difícil de igualar, conta (em casa e fora) com o apoio entusiástico dos seus adeptos e tem um vivaço Alex Ferguson ao leme que, ainda por cima, por razões óbvias tornou-se num profundo conhecedor (e admirador) do futebol português. E, já agora, beneficia dos serviços de Cristiano Ronaldo, o melhor jogador mundial do ano passado e, provavelmente, o primeiro ou segundo de 2009, pois com excepção de Messi continuo sem ver ninguém a jogar tão bem e, mais importante, a render tanto, a ser tão decisivo para o sucesso do seu conjunto.

Mas, ter de enfrentar o poderoso Manchester United é necessariamente uma má notícia para os dragões? Não me parece! Em primeiro lugar porque quem anda na mais importante competição europeia de clubes - e numa fase já bem adiantada, dentro dos 8 melhores - sabe que tem de jogar com os colossos e não com as "peras doces" ou com os emblemas apenas razoáveis. Depois, porque a motivação da equipa e dos adeptos não podia ser maior. São estes os confrontos com que técnicos e jogadores sonham, são estes os embates que tornam rica e prestigiada a história dos clubes.

E se ninguém pode dizer, com propriedade, que o FC Porto parte favorito para esta eliminatória, a verdade é que não é preciso recuar muito no tempo para encontrar um choque entre as duas colectividades que acabou favorável aos portugueses. Ou melhor: acabou com a conquista do segundo título europeu por parte da formação nortenha. Logo, hoje como no confronto anterior, dizer que os ingleses possuem mais hipóteses de seguir em frente é uma coisa, mas considerar que os comandados de Jesualdo Ferreira não terão capacidade de discutir a qualificação é outra. Aliás, basta atentar nas palavras de Ferguson logo após o sorteio para se perceber que os britânicos são os primeiros a desconfiar do perigo luso. Eles sabem bem que uma equipa com Lucho, Lisandro, Hulk ou Rodríguez não é apenas fumaça...

O facto da primeira mão ser disputada em Inglaterra pode ser um trunfo suplementar para o FC Porto, embora em 2003/04 a ordem dos jogos tenha sido inversa e nem por isso a coisa tenha corrido mal. Mas, independentemente de começar a eliminatória em casa ou fora, reforço que os azuis e brancos podem voltar a surpreender. E nem o facto de a equipa ter de encarar esta ronda ao mesmo tempo que fará o "forcing" final para atacar a conquista da Liga e da Taça de Portugal me parece capaz de fazer diminuir as hipóteses portistas. Se há equipa em Portugal que tem mostrado capacidade para actuar em várias frentes ao mesmo tempo, gerindo bem o plantel face ao desgaste físico, às lesões ou aos castigos... ela é o FC Porto.

Por fim deixo uma convicção pessoal: quem passar esta ronda irá marcar presença na final de Roma. Villareal e Arsenal, sendo equipas de qualidade, não terão a embalagem suficiente para, nas meias-finais, derrubar o Manchester United... ou o FC Porto (pese o recente eclipse portista em Londres)!

PS - Gostava de ver o Sporting de Braga continuar na Europa. A forma como a equipa se bateu lá por fora, praticando futebol de qualidade e não tendo medo dos nomes mais sonantes, merecia outra sorte. A eliminação frente ao PSG foi injusta face ao que se passou nos dois jogos e ainda mais por ter ficado ligada a um falhanço de Eduardo, apenas e só um dos grandes responsáveis pelo facto de, hoje em dia, os minhotos jogarem "cara a cara" com qualquer adversário português ou europeu. O maior "culpado" dessa verdadeira afronta chama-se, no entanto, Jorge Jesus. Já o disse e repito: o homem pode não ter o dom da palavra, mas "fala" bem dentro e fora do campo quando o tema em discussão é o futebol.

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