O meu sentido adeus a Adriano
Há muitos anos, quando ainda andava metido na política, entrei para a "TV Guia" para ser director da revista – que curiosamente está hoje no grupo Cofina e é dirigida (e bem) pelo meu camarada Nuno Farinha. Coisas da vida.
A queda do Governo de Mário Soares fez então com que mudassem os ventos partidários (e os conselhos de administração) e eu fiquei arrumado numa "prateleira" da revista, ainda dirigida por Adriano Cerqueira, que estava a caminho da direcção de programas da RTP, com José Eduardo Moniz.
Devo ao Adriano o acolhimento da sua asa protectora, que me permitiu atravessar, incólume, o deserto, e preservar o estatuto e a dignidade que alguns vampiros quiseram abocanhar. E uma atitude dessas nunca se esquece.
Fiz mais tarde, para aí há dez anos, um programa para a RTP, a convite de Adriano Cerqueira, e pude voltar a apreciar as suas elevadas qualidades humanas e profissionais. Custa-me muito vê-lo partir tão cedo, para mais agora que o Benfica tinha um bom jornal e um grande director. Curvo-me respeitosamente perante a sua memória, sabendo que terei, a partir de hoje, de viver com esta imensa saudade.
