O momento da verdade
Quando nesta altura, em que há duas equipas que têm a hipótese de ganhar o campeonato, como é o caso do Benfica e FC Porto, penso sempre naquelas últimas duas loucas jornadas da época 1985/86. Tive vários momentos destes na minha carreira, mas nunca nada tão forte como naquele ano. Nessa temporada a vitória ainda valia apenas 2 pontos e na penúltima jornada o Benfica dispunha precisamente de 2 de vantagem.
Nós, no FC Porto, tínhamos o confronto direto a nosso favor. Os encarnados jogavam com o Sporting na Luz e nós atuávamos em Setúbal. Os sportinguistas fizeram uma exibição incrível e venceram, por 2-1. Um golo de Morato e outro do meu grande amigo Manuel Fernandes colocaram o Sporting a vencer, por 2-0, ao intervalo. Manniche ainda reduziu na segunda parte mas os benfiquistas já não conseguiram chegar ao empate.
No nosso caso, estávamos fisicamente no Estádio do Bonfim, mas, ao mesmo tempo, com a mente no jogo da Luz. Ganhámos ao Vitória, por 1-0, com um golo que nunca esquecerei, pois fui eu que o marquei. Recordo-me que o nosso jogo terminou uns minutos antes do dérbi. Ficámos todos dentro do campo à espera do apito final na Luz e, quando acabou a partida em Lisboa, começámos a festejar, juntamente com os nossos adeptos, a conquista do título. Um autêntico erro. Pensávamos que seriam favas contadas o último jogo em casa com o Sp. Covilhã, que já estava despromovido, e não ganhámos para o susto. Esquecemos a existência dos prémios de jogo oferecidos por terceiros.
Nos três anos que estive no FC Porto só perdi uma vez no mítico Estádio das Antas. Foi para a Taça de Portugal, na época seguinte, contra o Sporting e já no prolongamento.
Aquela mítica equipa do FC Porto, que acabou por vencer a Taça dos Campeões Europeus, um ano depois, em 1987, era imbatível em casa. Por esta razão, nem nos piores pesadelos podíamos imaginar que naquele último jogo da época estivéssemos a perder 2-1 na segunda parte com o último classificado do campeonato. Mas assim foi. Quando o Sp. Covilhã deu a volta ao resultado, aos 59 minutos, vivi o pior momento dentro de um campo de futebol. Hoje, 30 anos depois daquele minuto, ainda sinto calafrios cada vez que me vem a imagem do segundo golo dos leões da Serra. Faltavam 30 minutos para acabar o jogo e... o campeonato. Era o momento da verdade. Tínhamos meia hora para sermos heróis e, se falhássemos, tínhamos que ir viver para outra cidade ou mesmo outro país.
Seria o descalabro total, mas, felizmente, não falhámos. Tivemos de "meter a sexta" para dar a volta àquela situação inesperada. Nos minutos 61 e 64 o grande Fernando Gomes (bi-Bota de Ouro) fez dois golos e o Elói, no minuto 76, obteve o 4-2. Fomos campeões mas não ganhámos mesmo para o susto. Que sofrimento, um final de época de loucos!
Depois do jogo falei com vários jogadores do Sp. Covilhã. Alguns tinham sido meus colegas nas camadas jovens do Sporting e mantive com eles uma grande amizade. Disse-lhes que se tivessem jogado sempre assim não desceriam de divisão. Todos sabíamos que estavam "supercarregados", uma palavra que se utiliza no "idioma" de balneário, quando existem incentivos das equipas rivais nos últimos jogos.
Em todas as ligas a nível mundial isto acontece e penso que é uma estupidez ainda estarem proibidos os incentivos para empatar ou ganhar. Perguntei-lhes na altura qual era o prémio que tinham do Benfica para pontuarem nas Antas e a resposta remeteu para um valor que era uma autêntica loucura para aqueles tempos. Fiquei surpreso porque, para a maioria dos jogadores do Sp. Covilhã, se conseguissem pontuar contra nós o prémio era superior ao contrato anual que tinham. Ou seja, em 90 minutos podiam ganhar mais do que em um ano de trabalho.
Recordo-me de tudo isto porque sei o que sentem neste momento os jogadores do Benfica e FC Porto. Nas últimas duas/três jornadas do campeonato, quando existe uma distância curta a nível de pontos, a pressão é enorme. O que se vive dentro de um balneário e mesmo no dia a dia é tremendo. Em poucos dias jogas uma época. São semanas em que a tua mente está a pensar 24 horas em futebol. A tua vida privada passa completamente para um segundo plano. Para os jogadores e equipas técnicas do Benfica e Porto este é o momento da verdade!
Grande caldeirada
Coitado!
Mais do que caldeirada, foi um escândalo a finta que o Messi fez ao Boateng na quarta-feira, na 1.ª mão das meias-finais da Liga dos Campeões. O Barcelona ganhava 1-0 com golo do argentino e, aos 80’, três minutos depois do primeiro, Messi fez uma jogada do outro mundo. Rebentou com os rins do central alemão, partiu-o todo, sentou-o no chão e acabou por fazer o segundo golo. Boateng, que é campeão do Mundo, certamente não mais se esquecerá do "nó cego" que levou. Uma autêntica obra de arte do Messi que me deixa apenas com uma palavra para o defesa alemão: coitado!
Nós lá fora
Mourinho campeão
O meu grande amigo José Mourinho voltou a ser campeão com o Chelsea e juntou mais um título ao seu currículo. É o 22.º troféu que consegue nos quatro países em que treinou. Já não existem palavras para descrever aquele que é um dos melhores treinadores da história do futebol. Parabéns, amigo!
Do meu álbum
Marselha
Embora já não tenha hipóteses de ser campeão, o Olympique Marseille, no qual tive o privilégio de jogar, voltou a dar guerra! O técnico Marcelo Bielsa trouxe de novo a esperança aos que, como eu, gostam deste grande clube francês e o meu desejo é que, dentro de muito pouco tempo, possamos voltar a ver este gigante ser campeão de França, regressando também aos grandes palcos europeus.
