O momento do basquetebol

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Depois dos brilharetes das selecções nacionais de andebol, voleibol, futsal, râguebi e futebol (sem esquecer o caso especial do hóquei em patins) - batendo-se de igual para igual com as maiores potências europeias e mundiais - chegou a hora do basquetebol marcar presença entre a elite internacional.

O sensacional apuramento para a fase final do Europeu de 2007, a realizar em Espanha, mostrou que o actual grupo liderado por Valentyn Melnychuk tem, de facto, argumentos suficientes para poder competir com os melhores. E ainda recentemente, em Macau, nos Jogos da Lusofonia, os basquetebolistas nacionais fizeram questão de bater, em duas ocasiões, Angola. É certo que os africanos só apresentaram metade das figuras que levaram ao Mundial do Japão, mas também não deixa de ser verdade que a superioridade lusa foi sempre evidente. E faltaram Sérgio Ramos, João Santos e Francisco Jordão...

O sorteio da fase final colocou Espanha, Croácia e Letónia no caminho da Selecção Nacional. Será fácil seguir em frente (passam os três primeiros)? Não, nem um pouco. Mas, era fácil falar em apuramento para a fase final num grupo com Israel, Macedónia e Bósnia-Herzegovina, sabendo que apenas um garantia automaticamente a qualificação? Também não!

Portugal vai aparecer em Sevilha sem qualquer tipo de pressão. Nada tem a perder. Ao invés, tem quase tudo a ganhar. E mantendo o espírito guerreiro que tem exibido nos últimos meses, convém acreditar que pode acontecer algo de muito interessante.

A equipa portuguesa, embora continue a não ter "gigantes" acima dos 2,10 metros, já não é tão fraca fisicamente quanto sucedia no passado. Jogadores com 200 centímentros já surgem com naturalidade, da mesma forma que acabou o tempo em que bastava embater num qualquer adversário para ver os nossos por terra. Agora, imagine-se, até é normal ver Portugal terminar os jogos com mais ressaltos que os opositores, mesmo aqueles que possuem os tais "gigantes".

Fazendo da defesa a sua arma preferencial, Portugal pode sair de Espanha com um estatuto diferente na hierarquia europeia e alguns jogadores, seguramente, irão ter oportunidade de "saltar" para campeonatos mais competitivos e, claro, ganhar dinheiro "a sério". Alguns, acrescente-se, têm mesmo potencial para serem verdadeiros profissionais, algo que em Portugal não passa, na maioria dos casos, de uma mera expressão gasta e sem qualquer sentido prático.

O basquetebol português tem pela frente uma oportunidade de ouro para evoluir e cimentar, de uma vez por todas, uma posição de relevo. Jogadores e técnicos parecem dispostos a todos os esforços, mas convém que não sejam os únicos. Federação, Governo, Clubes e Liga têm também de fazer a sua parte e, cada um dentro da sua área de acção, reunir todas as condições necessárias para que Portugal possa aparecer na máxima força. Dar os parabéns após as vitórias é importante, mas fulcral é proporcionar, a priori, as condições necessárias para se poder atingir esses triunfos.

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