O Mundo de olho em Portugal
A sensacional campanha na Alemanha transportou, em definitivo, a Selecção Nacional para o "top" do futebol internacional. Isto, independentemente do que suceder nos próximos dois jogos.
Seja campeã mundial (continuo a pensar que é esse o nosso destino) ou termine em quarto, a equipa portuguesa mostrou que, hoje em dia, está ao nível das melhores selecções do planeta. Dito de outra forma: Portugal provou, sem dúvidas, que é - por mérito próprio, acrescente-se -uma das mais fortes equipas da actualidade.
Durante o Euro'2004, o Mundo não olhou para nós com tanto respeito e admiração. Jogámos em casa; perdemos logo na estreia com uma Grécia em que ninguém acreditava; voltámos a falhar perante os helénicos na final e, claro, tratava-se de uma competição onde os colossos Brasil e Argentina não marcavam presença.
Dois anos mais tarde, Portugal resolveu colocar as coisas no seu devido lugar. Passou, serenamente, por cima dos adversários teoricamente mais acessíveis (Angola e Irão) e, perante selecções de peso, lutou bravamente para conseguir seguir em frente.
Pode dizer-se que Portugal ainda não fez uma exibição de "encher o olho". É verdade. Mas, sejamos pragmáticos, qual foi a grande prestação da Grécia em 2004? Nenhuma... E não foi por isso que deixaram de erguer um troféu que tanto desejávamos.
Olhemos, por exemplo, para a França, o opositor de quarta-feira. Com quem é que eles jogaram bem em terras germânicas? Terá sido com a Suíça, no empate a zero? Penso que não. Na igualdade (1-1) com a Coreia do Sul? Também não creio... No suado sucesso (2-0, com nulo ao intervalo) perante o desconhecido Togo? Não...
Os franceses, é verdade, melhoraram de produção nos jogos a eliminar, mas com a Espanha, só a 7 minutos do fim passaram para a frente, depois de terem estado em desvantagem. Boa, de facto, foi a prestação com o Brasil. No entanto, os sul-americanos "esqueceram-se" de jogar nesse dia. O que ajudou um bocadinho...
Feitas as contas, em cinco jogos, Portugal somou quatro vitórias e um empate. Marcou 6 golos e só sofreu 1. E mesmo nas grandes penalidades, Ricardo só permitiu um remate certeiro a quatro ingleses. Quer isto dizer que a Selecção, sem encantar, tem sido capaz de fazer o necessário para estar sempre melhor que os adversários.
Longe vão os tempos em que éramos os campeões das vitórias morais. Agora (e ainda bem), as boas exibições já não nos alimentam o ego. O que todos queremos são vitórias. E como não somos "gulosos" só pedimos mais duas esta semana. Depois... podemos descansar uns meses!
Entretanto, por esse Mundo fora, a imprensa vai falando de nós. Uns de forma justa e racional, outros vomitando um ror de disparates. Tal só acontece por duas razões:incomodamos os habituais "clientes" dos títulos internacionais e, fundamentalmente, estamos na luta, enquanto muita gente fina já está a assistir no sofá.
