O novo pequeno genial
Benfica. A tal equipa que não tem jogadores. Um onze de rapazes esforçados que lá vai ganhando os jogos Deus sabe como. Ainda no domingo, em Paços de Ferreira, como foi? Não jogaram 4-titulares-4. A saber: Luisão, Petit, Geovanni e Nuno Gomes. E actuaram outros que pouco ou nada acarinhados têm sido: Cristiano (que está à espera que o tal de Fyssas venha fazer o trabalho dele), Fernando Aguiar (que foi dispensado e voltou, e agora até marca golos!), Zahovic (que estava velho, mas que afinal ressurgiu das cinzas) e Sokota (que é muito bom, muito bom, mas quanto a golos nem por isso). É como quiserem. O certo é que Camacho, com a sua personalidade, o seu conhecimento, a sua capacidade de líder lá vai levando a água ao moinho e despertando o gigante adormecido da Luz. Não fora isso e João Pereira, o novo "pequeno genial", não comparável a Fernando Chalana mas como ele já no coração dos benfiquistas, ainda estaria na equipa B e talvez jamais pudesse mostrar a centelha de talento que fez renascer o Glorioso. Chapeau!
Pelé
A entrevista que o Rei do futebol deu a Judite de Sousa na passada semana constituiu um "show" televisivo da maior qualidade. Foi excelente a entrevistadora, aliás, dentro do que nos habituou - é notável a maneira como prepara o seu trabalho e como não dá, ao "opositor", tempo de antena para propaganda - e foi excelente o entrevistado, um homem já com muita estrada, mas que utiliza da melhor maneira - e também em proveito próprio, como é lógico - o facto de ser o maior mito vivo (D. Alfredo, Eusébio e o Pelusa que me perdoem) da história do futebol. Quem gravou o diálogo de Judite com o detentor da marca Pelé tem ali uma pérola de televisão. Inesquecível.
Liedson
Com o respeito devido a goleadores estrangeiros tão sonantes da história sportinguista - Yazalde, Cascavel, Acosta, Jardel e por aí fora - acho este Liedson uma pequena maravilha. Não apenas pelo seu metro e 70 de talento goleador, mas pela forma como joga e faz jogar. A velocidade e a mobilidade são os seus maiores trunfos e ainda agora, na Amadora, não foi além dos dois golos porque, só na primeira parte, em três vezes que se ia isolar, três vezes o auxiliar do árbitro o puniu com foras-de-jogo inexistentes. É assim, infelizmente, que no futebol português se castigam os grandes jogadores. Como são melhores do que a média, banalizam-se. Basta levantar a bandeirola.
Inácio
O responsável técnico pelo primeiro título do Sporting após a longa e seca noite de 18 anos resistiu para além dos limites do razoável às ameaças de Pimenta Machado. Não é possível que um responsável pelo que quer que seja consiga trabalhar, sabendo que qualquer deslize o pode deixar desempregado. Augusto Inácio é um treinador sagaz e devia recordar-se da tortura de Jaime Pacheco, em Guimarães, antes de João Loureiro o ter chamado ao Bessa (já agora, muito me riria eu se o Jaime "perdoasse" a Pimenta Machado e voltasse a treinar o Vitória...). Os sócios do clube minhoto andam há anos à espera de um brilharete, e merecem-no, mas tanta pressão é insuportável. Nem Cristo!
Norton de Matos
Com o simples propósito de referir nomes de treinadores no desemprego, apontei aqui, há uma semana, a situação de disponibilidade forçada em que se encontram dois técicos que admiro - Manuel Fernandes e Eurico Gomes -, admiração a que não é alheio o facto de os ter visto, como jogadores, realizar exibições memoráveis. Esqueço-me, obviamente, da "chapa 4" que levámos em Tel-Aviv, há 22 anos (meu Deus, 22 anos... será possível?), onde estivemos os três: dois a jogar (mal) e um a escrever (se calhar pior). Bem, mas a verdade é que ao sublinhar esses dois nomes eu quis homenagear todos aqueles que vêem a sua oportunidade travada pelos aventureiros que nos chegam de fora. Podia, por exemplo, falar também de Carlos Manuel ou de Quinito, mais dois que tive a oportunidade de entrevistar noutros tempos e que foram igualmente executantes de primeira água. Mas hoje quero dar o merecido destaque a Luís Norton de Matos, que tendo iniciado a temporada em Vidal Pinheiro para fazer "um campeonato tranquilo", está já na frente da Liga de Honra. O Luís - que faz 50 anos no próximo domingo, parabéns! - é das pessoas que conheço que mais sabem de futebol. E, se não se puserem a pau, o Salgueiral sobe mesmo.
Fonseca
O defesa do Estrela da Amadora não deve ser dos futebolistas mais bem pagos da SuperLiga. Mas, enfim, ganha o que ganha e o futebol é a sua vida. Faz-me, por isso, muita confusão que numa época em que os jogos principais são transmitidos em directo, com câmaras em missão de espionagem um pouco por todo o lado, alguns profissionais se permitam, já não digo agarrar os adversários que partem para o contra-ataque, mas caírem-lhes em cima com tudo - no caso de Fonseca, como vimos, foi tirar os olhos da bola e espetar o cotovelo na cara do adversário. E destruir a resposta da sua equipa aos 2-1 do Sporting. Se o caso da bota de Deco deu 3 jogos, este devia dar para aí uns 10...
Perguntas leva-as o vento...
1. Por que motivo se terá ido buscar a Espanha o director (aliás, ilustríssimo) de um diário desportivo para vir fazer a Lisboa uma palestra no AllFootball?
2. Quem é o treinador retirado, mas nem por isso menos talentoso, que vai ser colunista de Record já em Janeiro?
3. Quem é o jogador, useiro e vezeiro nessas coisas, que não apareceu no "Clube Vintium", do Canal Viver, depois de se ter comprometido com José Eduardo?
4. Quem é o treinador que não fala para um diário desportivo, alegando que ali escreve um jornalista espanhol que o odeia e passa a vida a dizer mal dele?
5. Por que haverá publicitários a fazer anúncios que ninguém consegue ler? Puro masoquismo?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...
