O "novo" Rui Costa
Sem ter tido um vencedor - o que deve tornar a luta pelo título ainda mais emocionante, embora com o FC Porto em óbvia vantagem -, o clássico da Luz não foi destituído de emoção ou intensidade. Bem pelo contrário. E se é verdade que alguns jogadores de quem muito se esperava não brilharam, outros confirmaram credenciais. Helton, Pepe e David Luiz, por exemplo, mostraram que possuem qualidade indiscutível.
Mas, de entre todos os que alinharam, faço questão de realçar Rui Costa. Recuperado de mais uma longa paragem, o experiente futebolista regressava à acção num dia particularmente complicado. O jogo era de extrema importância; o adversário poderoso; a falta de ritmo óbvia... Para piorar o cenário, quando entrou em campo Rui Costa tinha a sua equipa a perder; o FC Porto a controlar as operações; o título a voar da Luz...
Confirmando pela enésima vez a máxima popular "velhos são os trapos", o médio voltou a responder a todos aqueles - benfiquistas, inclusive - que há muito o consideram acabado para o futebol de alta competição. Foi por sua influência que as águias se assenhoraram do comando da partida e arrancaram para uma segunda parte de qualidade. Aceito, claro, que se diga que a velocidade e o ritmo já não são os de há uns anos, mas como José Peseiro me disse a propósito do lançamento do clássico, "mais importante do que correr, é saber correr".
Rui Costa tem o talento inato dos grandes, aliado a uma visão de jogo acima da média. Os seus 35 anos podem diminuir-lhe algumas capacidades, mas não o impedem de continuar a ser um executante de primeira. Da mesma forma que também discordo de quem diz que Cristiano Ronaldo não pode ser já considerado um dos melhores do Mundo porque só tem 22 anos, só posso torcer o nariz quando ouço que Rui Costa já está a mais na Liga. Só que não gosta de futebol pode pensar assim...
PS - Face à "futebolização" vigente no País, passou sem o destaque devido os feitos de Ticha Penicheiro (basquetebol) e João José (voleibol) no último fim-de-semana. Ambos conseguiram "apenas" ser campeões da Europa de clubes. Tenho o privilégio de conhecer ambos, pelo que, tal como Rui Costa, posso garantir que não são apenas bons atletas. São, igualmente, pessoas de grande qualidade. Sei também o esforço que tiveram de fazer ao longo de anos para poder chegar ao topo. Ao contrário de muitos que passam a vida a lamentar a falta de infraestruturas, apoios ou dinheiro, Ticha e João não ficaram à espera da sorte. Arriscaram o profissionalismo e deixaram tudo para trás para partir em busca do sonho. E chegaram lá. Bem o merecem. Portugal é que se calhar não merece ter gente assim. Infelizmente...
