O outro inimigo de Veiga

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Pois é, andámos todos entretidos a tentar perceber como iria acabar a querela entre os ex-amigos José Veiga e Pinto da Costa, que ninguém reparou que o recém-demissionário dirigente do Benfica também tinha assuntos por resolver com o Sporting. E que assuntos!

Onde pára o dinheiro é, por agora, a questão central desta nova novela do futebol português, criada em torno do futebolista João Pinto. Mas, se é verdade que esta é a primeira pergunta que todos gostaríamos de ver respondida, também seria interessante saber, ao pormenor, quem pagou; quanto e de que forma. É que se Veiga parece mesmo em "maus lençóis" - a aplicação de medidas de coacção tão rígidas leva a pensar que a Justiça está convicta do seu envolvimento em algo menos claro -, tudo aponta no sentido de não ser o único a poder ter problemas com as autoridades.

Ao apontar os nomes dos vários dirigentes "leoninos" que seguiram de perto a histórica entrada de João Pinto em Alvalade, Veiga não se limitou a jogar "à defesa". Bem pelo contrário: "atacou" e em força. Será o ataque a melhor defesa? Veremos em breve...

Mas, independentemente do desenrolar desta "embrulhada" recheada de aspectos claramente dúbios e já capaz de desencadear entrevistas, comunicados e queixas-crimes, gostava de chamar a atenção para dois pormenores:

1º - Creio que nunca mais alguém terá coragem para dizer e repetir que existem transferências a custo zero no futebol profissional. Isso, pura e simplesmente, é conversa para adormecer crianças. É possível que o jogador A deixe determinado clube e passe a representar outro sem que a colectividade de origem receba qualquer verba. Mas, podem ter a certeza, o novo patrão não irá pagar apenas os salários acordados. Para optar por um emblema em detrimento de outro, os futebolistas e/ou os seus empresários recebem muito dinheiro (as verbas serão tão mais avultadas consoante a valia do artista em causa). Nunca ouviram falar "em luvas"?

2º - Como é que uma indústria com uma queda tão acentuada para o disparate, calúnia, jogadas de bastidores, fuga aos impostos e até mesmo à corrupção pode desejar continuar a cativar o cidadão anónimo e honesto que, coitado, comete apenas o pecado de gostar de algo que antigamente era uma modalidade desportiva, mas que há muito se transformou num negócio de contornos cada vez menos claros? Eu não sei! Pior: temo que ninguém saiba. O futebol, acreditem, talvez ainda não esteja moribundo, mas lá que corre sérios riscos de vida, disso não tenham dúvidas...

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