O outro Rui Costa
Durante muitos anos, referir o nome de Rui Costa, em Portugal e em praticamente todo o Mundo, era sinónimo de falar de um futebolista de eleição, um dos melhores e mais tecnicistas que o país revelou. Hoje em dia, com o Maestro retirado dos relvados, já não é linear que estejamos sempre a pensar na mesma pessoa quando citamos o nome Rui Costa. Éque agora existe um outro igualmente famoso. E também desportista profissional e, curiosamente, com passagem pelo Benfica. A diferença é que não faz passes milimétricos, toques em habilidade ou golos. Este tem como profissão algo consideravelmente mais complexo, cansativo e perigoso: é ciclista.
O outro Rui Costa, de 26 anos (menos 15 que o atual dirigente do clube da Luz), é um dos nomes emergentes no panorama do ciclismo internacional. A sua qualidade para a prática velocipédica começou a ser notada bem cedo. Contudo, só nos últimos dois anos saltou para a ribalta, nomeadamente devido à dupla vitória na Volta à Suíça. Contudo, o sucesso em estradas helvéticas em nada se compara com o que o nortenho está a conseguir na centésima edição do mítico Tour. Ganhar duas etapas (das duras) no mesmo ano na mais difícil prova de ciclismo do planeta não é para todos, bem pelo contrário. Só os predestinados atingem tal fasquia. Eele é um deles.
Em França, apesar de falhar uma classificação final entre o “top 10” – algo que, muito provavelmente, só não será alcançado devido a uma decisão tática (e discutível) dos responsáveis da Movistar –, o melhor ciclista nacional da atualidade confirmou também ser um dos mais fortes a nível mundial. Éevidente que ainda não tem a estaleca de Froome ou Contador; que lhe falta a experiência própria de muitos anos na alta-roda, mas o talento, o espírito de sacrifício, a determinação ou a sede de vitória estão lá, o que nos faz acreditar que ainda nos dará muitas mais alegrias. Resta esperar que também saiba aprender com os erros...
