O papel do euro
As frases feitas e as boas intenções já não têm lugar. O dinheiro é indispensável.
1 - Cortar nas despesas e aumentar as receitas. Renegociar as dívidas com os bancos. Apostar no futebol de formação. Garantir que o Sporting é dos sócios e que se baterá de igual para igual com os rivais. Estas vão ser as palavras de ordem em Alvalade até às eleições de 23 de março. Como em qualquer ato eleitoral, haverá frases feitas para todos os gostos e ainda nomes de treinadores e jogadores a aguçar o apetite. Só que os adeptos leoninos já passaram por muito nos últimos anos e sabem que o clube apenas terá hipótese de regressar aos tempos de glória com uma injeção recorde de capital. É isso – e só isso... – o realmente indispensável para controlar o passivo e criar, quase a partir do zero, uma equipa de futebol competitiva, capaz de questionar a superioridade de FC Porto e Benfica e voltar a ganhar o respeito da Europa do futebol. Por muito que os candidatos à presidência possam esgrimir argumentos, será agora difícil convencer o eleitorado com falinhas mansas e um punhado de boas intenções. Ganhará, por certo, quem mostrar ter muitos milhões para colocar ao serviço do clube. Sem o fator euro, nada feito. E ai do Sporting se nenhum dos candidatos conseguir satisfazer tal premissa.
2 - A derrota frente ao Equador assumiu trágicos contornos para alguns, como se a presença no Mundial do Brasil estivesse dependente do desempenho no particular do Estádio D. Afonso Henriques. Portugal continua a ter jogadores muito acima da média, como Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Nani e Cristiano Ronaldo, e os outros aquém desse nível. É assim há já muito tempo. Desses “cinco magníficos” apenas um deles atuou os 90 minutos, pelo que não é lógico tirar ilações que perspetivem os confrontos que se avizinham com Israel e Azerbaijão.
3 - Chovem processos e contraprocessos, denúncias anónimas e personalizadas, devido à alegada utilização irregular de jogadores. Tudo por causa da famigerada lei das 72 horas, criada no âmbito do regresso à atividade das equipas B. Não se discute se a legislação é boa ou má, justa ou injusta, tão-só que ninguém se entende com ela. Seria melhor substitui-la por uma mais simples e que não gerasse dúbias interpretações.
4 - Todos aguardam já pelo regresso das competições europeias, marcado para 3.ª feira. Será a partir dessa data que começaremos a sentir o peso da Liga dos Campeões e da Liga Europa nos campeonatos domésticos. Veremos como FCPorto e Benfica, em guerra pelo título, serão capazes de gerir os respetivos plantéis. Agora vai mesmo doer.
