O que esperar da reta final
Estamos a entrar no último terço da época, a fase de todas as decisões. O despique entre FC Porto e Benfica promete ser animado. A conquista de um lugar europeu, e sobretudo da terceira vaga na Champions, também conta com alguns pretendentes. A luta pela manutenção está igualmente renhida. E resta ainda a curiosidade de saber o lugar em que terminará o Sporting na sua temporada mais insólita das últimas décadas.
Se o equilíbrio entre águias e dragões se mantiver como até aqui, tudo indica que o título poderá ter decisão marcada apenas para o embate entre as duas equipas à 29.ª jornada no Dragão. No entanto, esta corrida a dois tem tudo para ser emocionante. Os pormenores vão fazer a diferença e uma escorregadela imprevista pode tornar-se fatal. Não há margem para erro.
Com as duas equipas ainda nas provas da Europa, muito se tem falado na importância que o desgaste físico vai ter na atribuição do título. E por mais que o campeonato seja a principal prioridade para portistas e benfiquistas, a verdade é que nenhum dos clubes prescindirá de colocar os seus melhores jogadores nas competições europeias, em função do prestígio, dos prémios financeiros e da montra de valorização de jogadores que representam a Champions e a Liga Europa.
A quebra física poderá servir como desculpa para clubes médios, com plantéis mais curtos em número e qualidade, mas nunca para equipas com a grandeza de FC Porto e Benfica. A experiência dos jogadores em alta competição, a forte rotação de jogos e a boa preparação ao nível do treino permitem que estas equipas estejam prontas para lidar com um calendário apertado e lutar em várias frentes.
Discordo de Jorge Jesus quando este diz que quem sai primeiro das competições europeias tem mais possibilidades de ganhar o campeonato. Basta ver que, nos últimos dez anos, seis campeões europeus também venceram a liga do seu país. E mesmo na Liga Europa há quatro vencedores, que ganharam o seu campeonato no mesmo ano.
O segredo está mais na rotatividade dos plantéis, e isso é coisa que Benfica e FC Porto têm feito com sabedoria. A haver algum tipo de quebra, acredito mais que esta seja psicológica. Daí que seja importante não perder pontos. Porque um empate ou uma derrota, nesta fase, poderá ser um fator de desmotivação decisivo.
Quanto ao 3.º lugar, o Sp. Braga enfrenta um concorrente inesperado, o Paços de Ferreira. E esta luta promete ser tão animada quanto a do título, já que se trata de duas equipas que jogam bom futebol e entram com a ambição de ganhar em todos os jogos. Já para os restantes lugares europeus os surpreendentes Rio Ave e Estoril, assim como Marítimo e V. Guimarães, parecem ter argumentos para lá chegar.
Inesperadamente, o Sporting surge como outsider. Porém, acredito que ainda tem a possibilidade de conquistar um lugar europeu. Se conseguir um ciclo de 3/4 vitórias consecutivas, essa meta poderá ficar facilmente ao seu alcance. O leão tem qualidade para ficar nos lugares cimeiros, mas a irregularidade demonstrada ao longo da época faz com que qualquer previsão seja dotada de grande incerteza.
As movimentações nos lugares de descida também vão gerar interesse nestas últimas jornadas. Equipas como Moreirense, Beira-Mar, Olhanense, Gil Vicente e Académica têm nível semelhante, pelo que ainda é cedo para perceber quem cairá à 2.ª Liga. Não vão faltar pontos de interesse para o que resta deste campeonato. Que venham muitos golos e boas exibições.
O CRAQUE
Aposta ganha de Jesus
A par de Jackson Martínez, o benfiquista Matic tem sido uma das revelações da Liga. No espaço de um ano, a evolução do sérvio foi notável e tem dedo de Jorge Jesus. Enquanto foi a “sombra” de Javi García, parecia um trinco muito fixo e limitado em termos técnicos.
Mas esta época contrariou completamente a imagem inicial e afirmou-se em pleno. É um médio completo. Joga e faz jogar. Um muro em termos defensivos e um frequente construtor de jogo ofensivo da equipa. Além disso, aparece muitas vezes em zona de finalização. Aposta ganha.
A JOGADA
A qualidade não se esconde
Em pleno Nou Camp, Cristiano Ronaldo voltou a mostrar mais uma vez toda a sua qualidade. Para quem dizia que o português se escondia nos grandes momentos, os 8 golos apontados nas últimas seis visitas ao Barcelona são esclarecedores.
Embora muitos teimem em dizer que Messi está um patamar acima, a verdade é que o nível de Ronaldo é igualmente excecional. E agora que La Pulga não irá vencer a Taça do Rei, único título ganho em 2012, quem sabe se CR7 não tem uma hipótese na Bola de Ouro 2013 se ganhar essa competição, pelos vistos, tão apreciada pela FIFA. Pelo menos a final está garantida.
A DÚVIDA
Um problema para resolver
Nas últimas semanas, o futebol português tem sido assolado por uma onda de violência que não pode ser tolerada. É lamentável que, inevitavelmente, os clubes acabem penalizados pelos atos de vandalismo de um grupo isolado de adeptos, que na verdade não o são.
Trata-se de gente que não gosta verdadeiramente de futebol. Os cortes dos clubes nos custos de policiamento nos estádios também não ajudam a resolver a situação. Está visto que são necessárias medidas urgentes. Mas quem terá a coragem de colocar um ponto final nesta questão?
