O regresso da Liga
A bola volta hoje a rolar na liga portuguesa. Todos os clubes partem com ambições renovadas para uma longa, exigente e desafiante temporada. Se a luta pelo título já promete ser acesa, a competição pelos lugares europeus, assim como pela manutenção, também se anunciam como pontos de interesse que vão animar este campeonato.
A Supertaça já serviu de aperitivo para uma época que se espera disputada. O Sporting mostrou que é capaz de equilibrar forças perante o campeão nacional, confirmando assim as expectativas de que se apresentaria este ano com argumentos válidos para uma candidatura ao título. O Benfica, por seu lado, praticamente com a mesma base do ano anterior, ainda está a interiorizar as ideias do novo treinador e ficará certamente mais forte com os reforços que entretanto vieram e estão para chegar.
Neste momento, existe a tentação, para muitos, de dizer que os leões têm uma equipa superior às águias. Penso que é prematuro e, por agora, uma questão de perspetiva. Tanto o copo meio cheio (Sporting) como o copo meio vazio (Benfica), ainda não estão no seu melhor, há erros para corrigir, os motores estão em afinação, pelo que a real valia de ambos só se verá mais à frente.
O mesmo acontece com o FC Porto. Em plena fase de integração dos novos elementos, a máquina azul e branca está a ajustar processos. A amostra da pré-época revelou que a equipa continua a mostrar solidez defensiva e o gosto pelo domínio da bola. A grande curiosidade passa pela dinâmica do meio campo, onde Imbula será o centro das atenções, e perceber se o jogo ofensivo da equipa ganhará maior imaginação e eficácia. Excetuando a falta de um médio criativo, que eventualmente poderá vir, soluções não faltam a Lopetegui para uma temporada vitoriosa. E o treinador, agora mais conhecedor do futebol português, sabe que os adeptos portistas lhe vão cobrar isso.
O traquejo do plantel do Benfica foi um dos trunfos que fez a diferença no título do ano passado. E não deixa de ser curiosa a tendência deste ano, com os clubes a contratarem elementos experientes, alguns deles trintões. Casillas, Osvaldo, Maxi Pereira, Teo Gutiérrez, Aquilani e João Pereira são exemplos desta nova vaga que se estende a vários clubes.
Em Braga, Paulo Fonseca terá a sua segunda oportunidade num clube de topo da tabela, desta vez mais preparado para o desafio, mas ciente de que a tarefa não será fácil. As saídas de elementos importantes como Rúben Micael, Éder, Pardo e Zé Luís, limitaram as opções na frente e obrigam o técnico a descobrir um novo ataque para os bracarenses. Se encontrar o caminho dos golos, mantendo a forte linha defensiva do ano anterior, a equipa de Fonseca tem condições para se intrometer entre os três grandes nos lugares cimeiros.
Belenenses, V. Guimarães, Paços de Ferreira, Rio Ave, Marítimo, Estoril e Nacional são outros conjuntos que deverão ter uma palavra a dizer na luta pelos lugares europeus. Estou curioso para ver como o plantel do Boavista, mais ambientado ao futebol de primeiro escalão, se comportará. A equipa cresceu muito no decorrer da liga anterior e quem sabe se não volta a surpreender. Já Académica, Moreirense, V. Setúbal e Arouca devem apostar na manutenção. E uma palavra para Tondela, que se estreia hoje na 1.ª Liga, e União da Madeira, um saudoso regresso, duas equipas ansiosas por mostrarem que merecem fazer parte da elite do futebol nacional.
O Craque
O papel de Carrillo
Em vias de cumprir a quinta época no Sporting, André Carrillo assumiu finalmente a figura de jogador decisivo que desde cedo se lhe augurava, mas que tardou em confirmar. Afirmou-se com Marco Silva e parece que Jorge Jesus lhe reserva um lugar como protagonista nas alas. Um lance que o peruano “inventou” decidiu a Supertaça. É um abre latas, que rompe espaços e faz uso da técnica e velocidade para fazer a diferença. Em final de contrato, a renovação do mesmo está em cima da mesa. A sua decisão pode ditar o seu papel para esta época.
A Jogada
Mais do mesmo
O sorteio dos árbitros foi chumbado pela FPF. Mais do que o sorteio em si, os clubes quiseram, mostrar um cartão vermelho a Vítor Pereira e o “incoerente” critério de nomeações do Conselho de Arbitragem. O agora ex-árbitro Marco Ferreira bem que tem falado sobre o assunto, mas poucos lhe têm dado atenção. E para esta primeira jornada, as escolhas voltam ao costume: para os jogos de FC Porto e Benfica, dois árbitros inexperientes. Um deles nunca apitou mesmo qualquer partida de águias, leões ou dragões. Faz algum sentido?
A Dúvida
Paradoxos do campeonato
Num campeonato em que o Boavista até foi obrigado a mudar o piso sintético do seu estádio para relvado para receber jogos em casa, observam-se casos em que alguns clubes vão ser anfitriões em estádios que não são seus. Num dos casos, o cenário é inevitável, já que o Tondela está a efetuar obras de reabilitação no seu recinto. E por mais que compreenda as motivações financeiras do Arouca, em receber o Benfica em Aveiro, não estaremos perante um caso de concorrência desleal para com os restantes participantes?
