O regresso da Liga
O campeonato está de volta. Renovam-se as esperanças dos adeptos, ansiosos por verificarem o que valem os novos craques e sedentos por vitórias. Espera-se que seja uma Liga competitiva, sobretudo no topo da tabela, apesar dos problemas que a vão assolando. E num ano em que a competição se alarga a 18 equipas, resta saber se será um campeonato nivelado por baixo ou por cima em termos de qualidade.
O FC Porto será o primeiro dos grandes a entrar em campo. Com o objetivo de romper com a época anterior, os dragões de Lopetegui surgem com um plantel mais equilibrado, em quantidade e qualidade, apresentando várias soluções para o onze titular e dois jogadores de igual valia por posição, algo muito importante para dar resposta à exigente temporada que se avizinha.
Apesar da entrada de muitos elementos novos, o dragão manterá parte da espinha dorsal do ano anterior, integrando gradualmente os reforços. Fabiano, Danilo, Alex Sandro, Maicon, Herrera, Quaresma e Jackson serão membros importantes na equipa base que Lopetegui quer implementar. O facto de o plantel estar quase definido com antecedência deu estabilidade ao trabalho do técnico portista na preparação da época. Os primeiros sinais são animadores, mas ter bom plantel não significa necessariamente ter boa equipa. E esse será o verdadeiro teste dos dragões.
Mantendo a equipa base, o Sporting leva ligeira vantagem em relação aos rivais nesse aspeto, ainda que os problemas com Rojo e Slimani tenham baralhado um pouco as contas. À entrada para uma temporada mais preenchida do que a anterior, os leões tiveram de aumentar o número de soluções. A opção passou pela contratação de jovens com potencial de evolução, pelo que fica a expectativa de saber o que vão trazer os reforços.
Durante a pré-época, vimos um Sporting com duas caras. A melhor face dá uma ideia de continuidade ao trabalho da época anterior, o que indicia que o leão está preparado para lutar por títulos. Contudo, a imagem cinzenta de alguns jogos mostra que a inexperiência do plantel poderá ser um obstáculo. Fica a impressão que a entrada de um ou dois elementos maduros poderia catalisar a equipa para um nível mais alto.
Com o plantel longe de estar definido e reforços por chegar, o Benfica parte com o objetivo do bicampeonato. O campeão em título é sempre favorito, mas é certo que este Benfica nada terá a ver com a equipa do ano anterior. A perda de elementos fundamentais tem limitado o trabalho de Jorge Jesus, que terá de encontrar novas soluções. E se do trio argentino Enzo Pérez, Gaitán e Salvio se verificar alguma saída, as dificuldades serão ainda maiores.
É bom referir que o plantel encarnado não deixa de ter valor e continua a ser superior a 90% da concorrência interna. A equipa precisará é de tempo para se reformular. Mas com FC Porto e Sporting teoricamente mais fortes, a balança equilibra-se. E já se sabe que, por vezes, um bom arranque pode dar a força anímica necessária para vencer a prova.
De resto, há a curiosidade de saber o que poderá valer o Sp. Braga, reforçado com bons valores e jovens promessas internacionais, assim como Rio Ave, Estoril ou Nacional, que mantêm as equipas de bom nível do ano anterior. E assinale-se o regresso do Boavista, emblema histórico do futebol português, apesar de a sua força futebolística ainda ser uma incógnita. Sem grandes meios financeiros, o mais certo é termos uma Liga nivelada por baixo, mas o futebol português é pródigo em encontrar talento e fazer milagres. Que a bola comece a rolar!
O CRAQUE
Reforço de luxo
Numa altura em que quase já se dava como certa a sua saída, Jackson Martínez acertou a renovação com o FC Porto e foi ainda promovido ao grupo de capitães do plantel, o que revela a importância que terá na equipa de Lopetegui, enquanto goleador exímio e jogador experiente com capacidade para ser um exemplo para os jovens que tem como companheiros. O colombiano é, provavelmente, a figura maior da próxima edição da Liga, e se nenhum tubarão europeu o levar até ao fecho do mercado, o principal reforço da época do FC Porto.
A JOGADA
Benfica e o BES
Os problemas financeiros no BES fizeram soar o alarme no futebol português. A torneira do crédito já tinha fechado em alguns bancos nacionais e, face aos últimos acontecimentos, encerra também no BES. Mas muito antes de isto se saber, já se previa que este seria um defeso difícil para o Benfica, que investiu imenso na última época. Bastava analisar os relatórios e contas da SAD para se perceber que a fatura seria paga em 2014, com a maturidade de créditos e liquidação de empréstimos obrigacionistas a forçarem à venda de jogadores. Dizer que a culpa é do BES, é simplesmente uma forma de omitir uma inevitabilidade.
A DÚVIDA
O que faltou a Defour
Steven Defour deixa o Dragão sem atingir o nível esperado. Ao serviço do Standard Liège, o médio belga chegou mesmo a impressionar sir Alex Ferguson, que pensou nele para o Manchester United. Chegou ao FC Porto com estatuto de craque, mas não confirmou credenciais. Valeu pela polivalência demonstrada, útil em determinados momentos, mas não se afirmou nem nunca foi a referência de meio-campo que o clube precisava. Nunca gostou de ser suplente, e até fez questão de o dizer, mas não soube canalizar essa irreverência para conquistar o seu lugar. Terá faltado mais humildade para singrar?
