O rendimento de Di María

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O Benfica não perdeu em Nápoles por causa de Di María. Cedeu, entre outras razões, porque cometeu deslizes defensivos que se pagam caro em alta competição; porque não passa pela cabeça de ninguém que uma equipa que quer ser competitiva não tenha um único lateral direito no plantel; porque o meio-campo (com excepção de Yebda) não revelou a mínima aptidão para lutar pela posse da bola ou acompanhar as iniciativas dos médios contrários; porque Katsouranis tendo estado péssimo como central diante do FC Porto é fulcral no centro do terreno; porque jogar com um só dianteiro e mascarar extremos ou médios criativos como segundos pontas de lança só serve na teoria; porque estrear um novo quarteto defensivo numa partida tão intensa é sempre problemático, porque o árbitro perdoou a expulsão de um italiano ainda na primeira parte ou porque, efectivamente, a sorte não esteve do seu lado, nomeadamente na forma pouco ortodoxa como os transalpinos marcaram o primeiro e o terceiro golos.

Mas, voltemos a Di María: alguém consegue explicar o que se passa com o argentino quando actua pelas águias? É que não se podendo colocar em causa o seu inquestionável talento para a prática da modalidade, parece igualmente claro que o rendimento, na maioria das vezes, não ultrapassa a vulgaridade.

A época passada, para além de ter saltado para uma nova realidade, servia de atenuante o facto de aliar juventude ao desconhecimento da forma como se joga em Portugal e na Europa. Mais: o atleta nunca foi uma aposta segura dos treinadores. Ia jogando apenas de vez a vez, o que, claro, não lhe conferia a establidade emocional necessária para poder render o máximo.

Mas, depois do desempenho em Pequim, onde conseguiu brilhar tanto ou mais que alguns dos consagrados que levaram a Argentina até à conquista da medalha de ouro no torneio olímpico, Di María assumiu-se como a nova coqueluche do futebol encarnado. Ao ponto de ganhar, com relativa facilidade (mesmo tendo em conta a forte concorrência), a titularidade. Mas, até à data, o que é que se tem visto? Nada!

Não sei se à Luz, logo após os Jogos Olímpicos, chegaram as tais propostas de muitos milhões, mas consta que sim. Da mesma forma que se diz por aí que a transferência, para Espanha ou Itália, só não avançou porque Luís Filipe Vieira acredita que o jovem ainda vai valorizar muito mais.

Não adivinho o futuro e até pode acontecer que o líder encarnado esteja a tomar a opção mais correcta do ponto de vista desportivo e/ou económico mas,depois de saber as verbas com que Quaresma foi transacionado para o Inter e ver as recentes exibições de Di María... acho que qualter proposta a rondar os 20 milhões de euros seria um verdadeiro negócio da China para o Benfica.

Di María, pese todo o potencial, ainda não fez no Benfica nada que justifique o investimento efectuado (a rondar os 8 milhões) quanto mais o dobro. Mantê-lo no clube, como já disse, até pode ser uma jogada de mestre, mas também parece possível que, daqui a uns meses, a cotação do argentino tenha caído a pique. É que o "efeito Pequim" não dura para sempre. E em Portugal são vários os casos de jogadores que são seguidos por um ror de colossos internacionais, mas na hora da verdade... não conseguem a transferência.

Pouco dado a decidir depressa - característica comum em dezenas de jogadores sul-americanos que não se adaptam ao futebol europeu -, Di María só ainda marcou 1 golo pelo Benfica. E, normalmente, para além de exagerar no individualismo, remata quando deve passar e tenta a assistência quando se exige o "tiro". Por outras palavras... há ali muito talento, mas pouca ou nenhuma clarividência.

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