O resgate do SCP
O próximo presidente do Sporting já não tem nada para ganhar esta época, só dívidas para pagar. A única vantagem é que pode concentrar toda a energia no próximo ano desportivo. Mas, a julgar pelo que diz Godinho Lopes, a próxima época também já deu o que tinha a dar. Em receitas, é claro.
O candidato é Godinho, mas o orçamento é magrinho. É isso que mostra a entrevista de ontem ao Record do “candidato da banca”. Godinho Lopes propõe um Sporting como os melhores da Europa, jogadores que comam a relva, blá blá, tempos como os em que os adeptos que assobiavam levavam “um enxerto de porrada” (sic). O candidato sabe que a situação financeira é mais importante que tudo o resto porque, como diz, só investindo se joga melhor, se ganham jogos, se atraem adeptos, se aumentam receitas. É exatamente como a economia: só cresce e cria emprego com investimento.
O Sporting não tem uma senhora Merkel a quem pedir ajuda, o plano de resgate tem mesmo de ser negociado com os bancos credores: BCP e BES. Segundo Godinho, este ano o Sporting já não tem dinheiro, há um “buraco” de 13 milhões de euros entre as despesas e as receitas; do próximo ano já foram adiantados 30 milhões de receitas, por exemplo dos direitos televisivos. O Sporting parece uma empresa de transportes públicos, sem receitas suficientes e refém do pagamento de juros, que asfixiam a tesouraria e paralisam o clube.
O clube precisa de reestruturar o pagamento de dívidas e de uma injeção de capital. Godinho Lopes, além de querer fazer de Alvalade um estádio de casamentos e batizados, avança com um cheque de 100 milhões de euros, garantindo ter negociado tudo com a banca. Para começar de novo? Não, para tentar outra vez: é mais dívida para pagar dívida e para contratar uma equipa que vença. Vencerá?
