O retrocesso encarnado
Quique Flores, no lançamento da jornada da Taça UEFA, disse que o Benfica ainda não estava no “ponto”. Por alguma razão o fez e, seguramente, não terá sido por mera superstição. Aliás, nisso das declarações “a priori”, quem não acerta uma é o presidente Luís Filipe Vieira. Bastou vir a público, depois do sucesso em Guimarães, afirmar que “ninguém pára a equipa” para, num ápice, um acessível Galatasaray ganhar na Luz. E pior que o desaire é constatar que o desfecho coloca as águias numa situação complicada no que diz respeito à qualificação para a fase seguinte. Nada está perdido, como realçaram técnico e capitão, mas para evitar a máquina de calcular será preciso vencer os dois jogos que restam. Só que isso, nomeadamente na Grécia, não vai ser fácil.
Mas, resumidamente, o Benfica perdeu porquê? Essencialmente porque, em relação ao habitual, falhou no ataque. Os pupilos de Quique não marcaram, o que sucedeu apenas pela segunda vez nos jogos oficiais desta temporada (com a particularidade de ambos terem sido disputados na Luz). Já a defesa foi... normal, o que equivale a dizer que voltou a ser vulnerável e a “encaixar” golos.
Para poder sonhar com uma temporada positiva, as águias precisam de melhorar rapidamente o seu rendimento defensivo. Uma equipa de topo, com ambições em várias frentes, não pode sofrer golos em quase todos os jogos. E então nas bolas paradas é uma aflição constante, o que não deixa de causar estranheza quando, por exemplo, se observa que a dupla de centrais é composta por dois jogadores altos e com bom jogo de cabeça. E a esses ainda se juntam mais alguns atletas (como Yebda e Katsouranis) com características para o jogo aéreo.
Mas, na origem da derrota com a equipa onde actua o internacional luso Fernando Meira, também não se pode ignorar a pior exibição de Yebda com a camisola encarnada; a enésima prestação desgarrada de Di María; a escassa inspiração dos “artistas” que costumam criar a maioria das situações de perigo e o diminuto número de situações de golo.
Em resumo, o Benfica perdeu bem porque jogou mal. Agora, resta esperar para saber se o tropeção vai causar ansiedade segunda-feira, na recepção ao Aves, em partida referente à Taça de Portugal. Em condições normais, Quique deveria fazer descansar algumas das pedras principais mas, face a esta derrota e tendo em conta o sofrimento com o Penafiel na ronda anterior, se calhar é melhor esquecer as poupanças...
PS – O Sporting de Braga realizou, em Itália, no terreno de uma das mais cotadas equipas do futebol mundial (o AC Milan), uma das melhores exibições internacionais do seu historial. Perdeu, ingloriamente, nos últimos instantes, mas ganhou, com toda a certeza, o respeito de muito boa gente que, até este jogo, nunca tinha ouvido falar no clube. Se Jorge Jesus conseguisse ter o “Braga europeu” a jogar com regularidade na Liga... a classificação dos minhotos seria outra. Consideravelmente melhor.
