O Ronaldo que eu gosto
Por mais que uma vez fui "forçado" a criticar Cristiano Ronaldo. E pese, no início da carreira, tê-lo visto agarrar-se demasiado à bola, nunca coloquei em causa o virtuosismo técnico, a capacidade invulgar para decidir jogos, o estilo super-confiante com que parece encarar todas as partidas e/ou adversários.
O que me irritou em diversas situações foi a forma nada profissional, nem ética, com que tentou forçar o Manchester United a negociá-lo para o Real Madrid, esquecendo-se de respeitar quem acreditou nele, quem o ajudou a transformar-se numa estrela mundial ou quem o apoiou quando a Inglaterra em peso lhe declarou guerra por causa de um episódio menor.
No meio de várias afirmações e atitudes condenáveis, creio que não será injusto dizer que o prodígio madeirense até se esqueceu de se concentrar devidamente ao serviço da Selecção. O seu desempenho no último Europeu, mesmo sabendo-se que a condição física não era a ideial, ficou a léguas do esperado. Mas, enfim, isso já faz parte do passado e Ronaldo, como qualquer cidadão, tem direito a errar sem que tenhamos de o "cruficicar" para sempre. Ainda assim, e em jeito de balanço, continuo a duvidar que tenha sido só o "amor de criança" pelo clube merengue a levá-lo a tomar atitudes menos felizes.
Desta feita, porém, quero elogiar o futebolista e, principalmente, o homem. Ao fazer questão de receber o prémio de melhor marcador europeu da última temporada no seu País, na sua terra natal, perante os seus familiares e amigos, Ronaldo mostrou que não tem classe apenas com a bola nos pés.
Numa intervenção digna de realce, o madeirense não voltou a cair na esparrela de dizer que pretende sair do United, desvalorizou as recentes derrotas do seu clube e da Selecção Nacional e, sem falsas modéstias, assumiu que, tendo em conta o que fez (e o que ganhou) na época passada, merece ser distinguido com o galardão de melhor futebolista do Mundo.
Frontal e humilde, Ronaldo até pediu desculpas por na sexta-feira, aquando da chegada ao Funchal, ter sido algo brusco nas declarações aos jornalistas.
Não sei se Ronaldo, nos últimos tempos, tem sido ajudado por alguém no sentido de protagonizar intervenções públicas mais conseguidas e menos polémicas. E isso pouco ou nada importa. Sozinho ou com ajudas, o que interessa é que Ronaldo parece mais sereno, profissional e adulto. E é esta versão que apreciamos. Melhor que isto, só vê-lo pegar na bola e fazer estragos na equipa contrária, algo que parece ir recomeçar em breve. Talvez já na próxima semana...
