O sistema vai ruir
Já muitos temos feito comparações entre a situação do Sporting e de Portugal. Eis mais uma: da mesma maneira que em Portugal se vota maioritariamente em dois partidos que não são tão diferentes quanto fazem parecer; no Sporting há uma linha de continuidade mesmo quando o sucessor renega o caminho do sucedido.
Agora vai ser diferente, disseram de forma mais ou menos explícita Roquete, Dias da Cunha, Bettencourt, Godinho Lopes. Mas o povo sportinguista foi sempre sabendo que, de facto, estava a votar numa linhagem. Gente bem aceite pela banca credora, cada vez mais credora, gente que – à semelhança do que no país se passa entre PS e PSD –, com mais ou menos fogo-de-vista, na essência, vai tapando os buracos que ficam de trás.
O problema é quando já não há mais forma de tapar o buraco. O problema é quando a derrapagem nas obras públicas, o engordar das estruturas clientelares, as negociatas várias, trazem a desgraça a todo um povo. No caso do Sporting, leia-se compra de jogadores onde, acima, está “obras públicas”, e o restante quadro se aplica. Embora a desgraça seja “apenas” desportiva e circunscrita financeiramente – há empresas de comunicação social com buracos financeiros piores do que o do Sporting e sem ativos comparáveis com os deste grande clube português. Desde logo no afeto de milhões e no amor empenhado de centenas de milhares.
No Sporting, parece chegado o momento em que o sistema vai ruir. O candidato que acene com o maior destapar de escândalos e chicote sobre o passado será o vencedor. Sem que com isso afaste maiores desgraças para o futuro do clube.
P.S. – Depois do exemplo que se passou em Guimarães, um jogo sem policiamento de que resultem vítimas terá de ver os responsáveis a responder por negligência grosseira.
