O Sporting, "A Bola" e o "Zé dos Tachos"

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O Sporting, “A Bola" e o “Zé dos Tachos”
O Sporting, “A Bola" e o “Zé dos Tachos”

Véspera de Sporting-Benfica… Será que vai haver dérbi?!…Tinha prometido a mim próprio que não falaria mais desse raro fenómeno denominado “Zéeduardismo” e da minha passagem de 26 anos por “A Bola”, exactamente o mesmo tempo de permanência de Alex Ferguson no comando do Manchester United. Ao longo de uma década – a caminho de 13 anos, para ser exacto – olhei para o ostracismo a que me votaram com um sorriso nos lábios. Serviu para dimensionar a miséria dos homens. À distância, assisti à publicação de tantas e tantas mentiras como se fossem verdades absolutas. Testemunhei, em silêncio, a autoproclamação dos espaços consagrados à liberdade de expressão, atirando o caso do Zé Diogo Quintela para o saco dos incidentes processuais sem qualquer relevância ou significado editoriais. Sei exactamente por que razão me riscaram da história de “A Bola”. Porque nunca me coloquei na posição de amestrado que eles tanto gostam, nunca bajulei as pessoas que adoram ser bajuladas e porque recuso-me a olhar para um jornal como uma agência de favores. Se repararem bem, “A Bola” vive do auto-elogio, da autopromoção directiva e coloca-se sempre na posição de que são melhores do que os outros, porque alugam o seu espaço editorial aos situacionistas e estes, a troco de elogios ou de colunas bem pagas, ajudam à propaganda, de um jornal que conheceu tempos áureos (dos quais fui privilegiada testemunha) mas que se enterrou nas suas contradições, no serviço às clientelas e na vaidade que esteve na base do lançamento da “Bola TV”, mais um projecto megalómano condenado ao fracasso.

Quer dizer: assassinaram a memória de “A Bola” mas usam essa mesma memória para alimentar a fachada daquilo a que denominam de competência e pluralismo.

Ano após ano, por altura da comemoração dos aniversários, lá vem a ladainha do costume, do jornal de vocação universalista, com uma posição ímpar no espaço lusófono, embrulhada nos elogios hipócritas de quem “fez” o jornal — os fundadores e aquela equipa de jornalistas de luxo que colocaram “A Bola” numa posição ímpar, até ao começo dos anos 90, entre os quais Vítor Santos, Alfredo Farinha, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Aurélio Márcio e Nuno Ferrari foram os maiores de todos. Orgulho-me desse tempo e orgulho-me dos meus professores. Foi esse tempo que a nomenclatura de transição aniquilou para dar lugar a um produto híbrido, de aproveitamento do momento, sem nenhuma identidade, sempre alinhado com aqueles que fazem funcionar os alcatruzes da nora. Esta é a minha divergência de fundo: a falta de independência e, com ela, a manipulação constante; e a destruição de todos os valores que estavam associados à “velha Bola”, sempre subtilmente visada com as observações de que o tempo não pára e é preciso dar resposta aos imperativos da modernidade. Aí estão os resultados dos imperativos: novas gerações exploradas até ao tutano (mas com direito a fotografia no jornal) e um projecto com antenas que não é mais do que, à custa dos sacrifícios do papel, a extensão da vaidade (incontida) de uns tantos, cansados de ficar na sombra dos teclados. Os resultados dessa aposta na vaidade estão a chegar, infelizmente, e um dia o Arga dar-me-à razão.

Acontece, porém, que na edição de 10 de janeiro o escrevinhadeiro Eduardo decidiu tentar ofender-me, na sequência da análise que, por dever profissional, e depois de se ter colocado (em bicos de pés, para disfarçar o evidente nanismo intelectual) na crista da onda da actualidade sportinguista, não podia deixar de lhe fazer. Reagiu mal. Reagiu – percebi depois – como se fosse o dono de Ricciardi, do BES, da “Bola”, do Bruno de Carvalho e do Sporting. Afinal, estamos todos enganados. O verdadeiro Dono Disto Tudo (DDT) não é o Salgado; é o “Zé dos Tachos”, como simpaticamente a claque e uma franja considerável de adeptos e sócios do clube de Alvalade o tratam e conhecem. Por norma, não presto atenção nem valorizo o conteúdo de crónicas, mesmo aqueles que me visam directa ou – quase sempre – indirectamente. Mas, dada a gravidade das insinuações, algumas das quais relacionadas com “a minha querida Bola” e com os anos que lá passei, decidi enviar uma carta registada, invocando (ao abrigo da Lei de Imprensa) o meu legítimo direito de resposta.

Ora a “minha querida Bola” não só ignorou essa carta (não a publicando) como não se dignou a dar qualquer justificação – como era obrigada por lei – pela não publicação. Já seguiu queixa para a ERC, não apenas pelo atropelo à lei no que me diz respeito mas para demonstrar, também, que a propaganda desta “Bola”, cada vez mais longe dos princípios que nortearam os seus fundadores e cabouqueiros da redacção, só é bem digerida pelos distraídos ou por quem dela beneficia no imediato. A publicação da carta não é um dever perante um ex-Bola; é um dever perante qualquer cidadão.

Considero esta postura bem mais grave do que os dichotes do “Zé dos Tachos”, que se serve do nome do Sporting e do seu alegado “sportinguismo” para enriquecer, vendendo croquetes ao preço da lagosta. Os verdadeiros sportinguistas, aqueles que não fazem negócios à custa do Sporting e não se servem do nome do Sporting é que têm de resolver este abuso, em sede própria. É um problema também de Bruno de Carvalho, que já deveria ter cortado o mal pela raiz, até em nome da sua integridade presidencial.

Não passo férias em casa nem de Salgados nem de outros “couverts”, nem no Brasil, nem na Cochinchina. Não posso aceitar que um oportunista me queira colocar contra a “Bola”, só para satisfazer o ego de alguns e a justificação para continuar a escrevinhar. Quem dá de comer a quem? Quanto pesa a censura?

NOTA - Vieira acha que Jesus só poderia sair do Benfica com a ajuda de Mendes e que, por isso, por ter Mendes do seu lado, Jesus está engessado?

JARDIM DAS ESTRELAS - *****

Dérbi capital

Se houver dérbi (ver texto principal), o Benfica tem quase tudo a favor: mais experiência (do presidente aos jogadores, passando pelo treinador), mais pontos, mais golos… Mas isso chega para o Benfica dar um passo importante em direcção ao título? Pode não chegar. Depende da forma como o campeão nacional conseguir optimizar as suas qualidades (e isso passa muito pela estratégia que Jesus adoptar) e também do comportamento do Sporting, que tem desequilibradores “de luxo” capazes de resolver um jogo. A ausência de Gaitán é um trunfo para o Sporting. Será um dérbi capital, com expectativa no máximo.

O CACTO

Alegremo-NOS

Apressemo-NOS a cantar hossanas à nova-velha família do futebol português, que encontrou o sorriso e o patrocínio. A estória está um bocadinho mal contada: o (famigerado) “tufão” veio antes. Nem as multimilionárias transferências de jogadores e as tremendas mais-valias serviram para colocar as contas dos clubes em sossego. Será, também, do elevado montante das comissões? Afinal, no meio de tantas competências e de extraordinários exercícios de gestão, por que motivo afinal os clubes e as SAD se apresentam nas lonas? Esta irmandade não representa igualmente a necessidade de promover um escudo protector que disfarce as engenharias e o logro? É como a estória dos fundos. Eles não são uma consequência dos abusos e dos dislates? Compreendo a posição messiânica de superMendes: quanto mais fundos, mais negócio. Mas afinal por que razão os passivos não baixam? Será do buraco do ozono? Alegrem-NOS e… ponto final

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