O sucesso de Ticha
Num mundo em que o futebol é rei e senhor, muito do que se passa nas restantes modalidades costuma ser esquecido, minimizado ou mesmo ignorado. É assim em muitos países, mas em Portugal, verdade seja dita, exagera-se.
Alguns desportistas, quase todos praticantes de modalidades individuais, lá vão conseguindo, aqui e ali, ser notícia. Contudo, e com razão, queixam-se de não merecerem a devida atenção. Muitos, mesmo tendo o maior orgulho em representar as cores lusitanas, não deixam escapar o tradicional lamento: "se tivesse nascido uns quilómetros mais ao lado, em Espanha, tudo seria diferente". É triste, mas é verdade...
Hoje, na longínqua Rússia, Ticha Penicheiro, a melhor basquetebolista portuguesa de todos os tempos, conquistou a Eurocup, ao serviço do Spartak de Moscovo. Há uns meses, nos Estados Unidos, tinha arrebatado, pelas Monarchs de Sacramento, a WNBA, a versão feminina da NBA.
Elogiar a qualidade técnica da rapariga da Figueira da Foz é fácil. Basta vê-la jogar uma vez para perceber que consegue efectuar movimentos que não são normais no basquetebol feminino. Eu prefiro destacar a sua força de vontade.
Quem, ainda muito jovem, opta por deixar o País, a família e os amigos e arrisca tudo por tudo ao ir para os Estados Unidos tentar elevar as suas qualidades técnicas e físicas merece chegar longe. E ela conseguiu, para gáudio de todos os que sabem quão complicado foi trilhar o caminho do sucesso.
Sem ter possibilidades de ganhar nada de relevante ao serviço da Selecção Nacional, Ticha vai continuando a espalhar o perfume do seu jogo, seja nos "States" ou em qualquer pavilhão da Europa. Merece o dinheiro que ganha, mas também o respeito de todos os portugueses, até porque para além de profissional de grande nível é uma pessoa humilde e simpática. É pena qua a maioria não a conheça...
