O tempo e a especulação
1 O tempo encarrega-se quase invariavelmente de repor a verdade dos factos. Na esmagadora maioria dos casos, basta ler os sinais com que o passado recente nos contemplou e transportá-los para a atualidade. As conclusões são óbvias, muitas delas já do conhecimento público, mas, por vezes, merecem vir de novo à tona nem que seja para desmascarar aqueles que tentaram iludir a opinião pública, acenando com a velha história da especulação jornalística.
No Benfica, Jorge Jesus saiu tão-só porque Luís Filipe Vieira não quis que ele continuasse. O presidente prefere alguém que integre a estrutura do futebol e que não teime em substituir-se a ela. E tem toda a legitimidade de pensar assim. Mas não houve, ao contrário do que argumentou, qualquer ingratidão do técnico, mas apenas o desejo de ser ele a escolher o próprio futuro. Era o que faltava a alguém como Jorge Jesus, em final de contrato com o Benfica, ser empurrado pelo ex-patrão para uma liga pouco competitiva, só porque não convinha aos encarnados a mudança para um rival!
No Sporting, por seu turno, houve premeditação e sangue-frio. Marco Silva tinha a sentença lida desde o ano passado, quando começaram a surgir os primeiros focos de tensão com Bruno de Carvalho.O posterior golpe de mestre, que constituiu a contratação de Jorge Jesus, serviu para silenciar a revolta dos adeptos, mas não apagou a preversidade do despedimento, por alegada justa causa, que ditou a saída de Marco Silva.
2 Esta semana fica marcada por um rude golpe na arbitragem e principalmente na credibilidade, que já era duvidosa, dos observadores dos árbitros. Marco Ferreira, um dos melhores do sector, a par de Jorge Sousa e Artur Soares Dias, foi despromovido, mercê das notas atribuídas ao longo da temporada por um grupo de cavalheiros aparentemente habilitado a fazê-lo.
Quem olha para a classificação da época agora finda e verifica que, por exemplo, Olegário Benquerença ficou em 3.º lugar e Paulo Baptista em 12.º não pode ficar indiferente. O caso é ainda mais grave, sabendo-se que o homem escolhido para dirigir a última final da Taça de Portugal tinha enveredado pelo profissionalismo e deverá agora ficar desempregado. Marco Ferreira foi tratado de forma injusta. Sem consideração, sem respeito e, acima de tudo, sem humanidade.
