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O terceiro episódio
Não há tempo para bloqueios mentais e faltas de reação. Talvez tenha sido isto que aconteceu ao Benfica nos dois jogos anteriores. Os encarnados, sem margem de erro, surgem no jogo de amanhã com press
Vamos apenas em novembro e quis o destino que a próxima eliminatória da Taça de Portugal apadrinhasse o terceiro dérbi de Lisboa no espaço de 4 meses. Isto numa temporada marcada pela saída de Jorge Jesus da Luz para os vizinhos da Segunda Circular, apimentada com as vitórias do Sporting sobre o rival nos dois primeiros jogos e marcada pela polémica fora das quatro linhas entre os dois clubes. Resta saber agora qual das expressões populares vai prevalecer no final do jogo de amanhã: "não há duas sem três" ou "à terceira é de vez"?
Em agosto, o golo de Teo Gutiérrez deu a conquista da Supertaça ao Sporting numa partida em que os leões foram superiores. Jorge Jesus vencia assim a anterior equipa e as provocações do "cérebro" deram início a um despique de palavras. Dois meses depois, em pleno Estádio da Luz, numa exibição quase perfeita, em que tudo correu bem, os leões venceram com números esclarecedores: 3-0. Pelo meio, surgiram as denúncias de Bruno de Carvalho sobre o ‘caso das prendas’, o processo movido pelo Benfica a Jorge Jesus e os dois clubes foram ficando cada vez mais em lados opostos.
Com dois jogos e dois triunfos, Jorge Jesus tem agora um diferencial de quatro golos marcados e nenhum sofrido no confronto com Rui Vitória. E eis-nos chegados ao terceiro duelo, numa competição que volta a ser diferente. Só um pode ganhar. Os sportinguistas estão de momento mais confiantes, mas do outro lado estará uma equipa apostada em contrariar a história recente. Num dérbi não há vencedores antecipados e nem sempre ganha a equipa que está melhor.
Ao fim de quase 5 meses de trabalho com as suas novas equipas, Rui Vitória e Jorge Jesus já contam com um maior entrosamento de ambos os coletivos e conhecem melhor a matéria-prima que têm à disposição. Nestes jogos, o coletivo faz a força, mas é também necessária força emocional, dada a elevada carga psicológica que este tipo de partidas gera. Não há tempo para bloqueios mentais e faltas de reação. E talvez tenha sido isto que aconteceu ao Benfica nos dois jogos anteriores.
Por isso, e porque não existe margem para erro, o Benfica surge neste terceiro confronto com um pouco de pressão acrescida, no sentido de reabilitar a imagem deixada anteriormente e obter um bom resultado que anime as suas hostes, mostrando que tem soluções para bater o rival. Para o Sporting, o fator casa pode pesar a seu favor, mas o excesso de confiança pode comprometer as aspirações, e falta saber qual a reação da equipa se o Benfica marcar primeiro. No fundo, quem controlar as operações poderá ter mais hipóteses de sair vencedor.
O domínio a meio-campo será vital. E foi a zona do terreno em que o Benfica falhou nas partidas anteriores, pelo que acredito que Rui Vitória tentará encontrar uma nova fórmula para trazer mais equilíbrio à equipa. No Sporting, a colocação estratégica de João Mário entre o corredor e o miolo pode contribuir para um maior controlo das operações.
Ambos os treinadores já contam com uma Taça de Portugal no seu palmarés e há essa curiosidade de Rui Vitória ter ganho a prova em 2013 pelo Vitória de Guimarães às custas de… Jorge Jesus. E todos sabemos como o treinador do Sporting valoriza esta competição. É um jogo escaldante por força da guerra de palavras recente. Mas é ainda mais interessante pelo que se passará dentro das quatro linhas. E independentemente do resultado, penso que será muito diferente do que se viu há cerca de um mês na Luz.
Mais uma opção para a Seleção
Com apenas 18 anos de idade, Gonçalo Guedes fez a sua estreia pela Seleção e aumenta agora o leque de opções de ataque para Fernando Santos. Na sua época de afirmação de águia ao peito, onde já leva 4 golos apontados (tantos quanto os marcados por Nico Gaitán), o jovem tem sido um dos destaques. Tem um estilo de extremo mais próprio de um jogador alemão do que português, fazendo uso da força, velocidade e poder de remate. O potencial é enorme e o caminho é fazer mais jogos para ganhar maturidade e elevar o seu patamar competitivo.
O valor da experiência
O FC Porto perdeu duas peças essenciais como Danilo e Alex Sandro, dois dos melhores laterais da Europa, vendidos por mais de 57 milhões de euros. Maxi Pereira, em final de contrato, e Miguel Layún, por empréstimo, foram as soluções encontradas para colmatar as saídas. Jogadores capazes de chegar e render, com maturidade competitiva, que mantiveram a produtividade ofensiva e defensiva das laterais portistas a um nível elevado. Pegaram de estaca e a sua experiência fez-se valer. São mais-valias a pensar no presente.
O futuro de José Sá
O guarda-redes José Sá foi uma das grandes figuras da seleção sub-21 portuguesa que se sagrou vice-campeã europeia no último verão. Despertou a cobiça de vários emblemas, mas acabou por se manter ao serviço do Marítimo. No entanto, tem estado tapado na equipa madeirense pelo francês Salin e as oportunidades só lhe têm surgido nas taças. Era bom que uma das principais promessas para a baliza portuguesa no futuro pudesse ter mais tempo de jogo para crescer. Será que irá mudar de ares em janeiro?
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