O título de Jesus

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O título de Jesus

1 Bastou um deslize do Benfica em Paços de Ferreira para o campeonato ficar de novo ao rubro, embora a reentrada de um terceiro candidato ao título só possa ser consumada após o dérbi que se avizinha. Do ponto de vista teórico, o Sporting passará a ter aspirações legítimas, caso vença o eterno rival em Alvalade no próximo dia 8. Só que os leões apresentam um plantel curto e que necessariamente será fustigado pelo calendário que se aproxima.

Já FC Porto e Benfica têm muito mais obrigações do que perseguir meros sonhos. Os dragões ostentam uma equipa fortíssima mas um treinador que ainda não deu provas a este nível, enquanto os encarnados, pese embora as contratações de última hora de Júlio César e Jonas (na primeira janela de mercado, claro está) continuam, por exemplo, sem opções válidas no banco. Têm-lhes valido os supracitados reforços, as pedras-chave que ficaram do ano anterior e, fundamentalmente, Jorge Jesus, não obstante a má estratégia, principalmente no que a subsituições diz respeito, adotada na Mata Real.

Tratou-se, afinal, de um mero acidente no percurso de um treinador a realizar uma época notável, se é que esta expressão pode transferir-se de jogadores para técnicos. Se o título de 2009/10 foi obtido por força da equipa de excelência de que o Benfica dispunha, com Ramires, Di María, Aimar e Saviola, entre outros; e o da época passada fruto da inspiração de Rodrigo e Enzo Pérez e da coesão defensiva que Garay e Siqueira ajudaram a garantir; o da temporada em curso, caso se confirme, terá indiscutivelmente um herói.

Jesus consegue colocar Jardel a titular, jogar com um miolo remendado, um ataque que já conheceu melhores dias e sem que no banco existam alternativas indiscutíveis. Mesmo assim, leva 6 pontos de vantagem de um FC Porto que tem tudo do bom e do melhor... exceção feita ao treinador.

2 A semana foi inquestionavelmente marcada pelo anúncio da candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA. Independentemente do prestígio que o antigo craque tem na nossa sociedade, o futebol português deve unir-se em torno deste projeto. Há, aliás, a oportunidade única de juntar no mesmo período da história, o melhor jogador do Mundo, o melhor treinador do Mundo e o presidente do organismo que superintende o futebol.

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