O triste (e ilegal) basquetebol português

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Arrancou no último fim-de-semana mais uma edição da Liga de basquetebol ou, dizendo melhor, o que resta dela, pois uma competição que só tem 8 clubes está muito longe dos desejos formulados aquando da estreia daquilo que se pretendia profissional mas que, salvo algumas honrosas excepções, de profissional só tem o nome.

Gostava, como alguém ligado à modalidade há mais de 25 anos, que o basquetebol português tivesse uma verdadeira liga profissional. Ficaria feliz também que o mesmo sucedesse no andebol (oficialmente também possui esse estatuto, mas são públicas as dificuldades presentes e passadas de vários emblemas), voleibol, hóquei em patins ou futsal. Mas, tenho perfeita consciência que, de momento, isso é impossível. Vivemos em Portugal e o País, das autarquias às empresas, atravessa uma crise económica evidente. O desporto, sendo algo cada vez mais importante na sociedade, não pode ser a prioridade.

Entendo que muitos lutem, até à exaustão, pelos ideais em que acreditam. Tenho muito respeito pelas pessoas que, no caso concreto do basquetebol, trabalham arduamente para não deixar morrer os seus projectos. Mas, sejamos coerentes, querer manter de pé algo que se desmorona dia-a-dia não é uma solução. O que se tem visto ao longo dos tempos são apenas "remendos", muitos dos quais ilegais e que só contribuem, indirectamente, para o descrédito do basquetebol em geral e da Liga em particular. Não deve ser por acaso que uma recente votação aqui no Record Internet dizia-nos que apenas cerca de 25% dos votantes iria acompanhar as incidências da Liga.

Pouco depois da histórica participação de Portugal no Europeu de Espanha, a Liga arrancou com pelo menos um clube em clara violação das regras. O Lusitânia, com dívidas por saldar, conseguiu inscrever os atletas e alinhou contra o Barreirense. Não devia ter sido, mas foi assim. Como é que foi possível? Bastou a anuência da entidade organizadora e umas quantas promessas. Serão cumpridas? Não sei, até quero acreditar que sim, mas o que está em causa é que, mais uma vez, foram desrespeitadas as regras, curiosamente definidas e estipuladas pelos próprios clubes. À data da inscrição e da entrada em campo, o clube dos Açores não podia jogar. E isso, por muitas voltas que tentem dar, é um facto indesmentível.

No meio de todo este imbróglio também não escapa a Proliga, a principal competição da Federação onde, efectivamente, também um clube (Queluz) alinha em regime de incumprimento, tantos são os casos de dívidas que acumulou no passado recente. Curiosamente, muitos dos que, com razão, denunciam este caso, actuam de forma diferente quando se trata do problema do Lusitânia...

Ao contrário do que alguns pensam e dizem, eu sou pelo basquetebol. Mas, antes, sou pelo cumprimento dos regulamentos, das regras, das leis. E, claro, defenderei sempre quem trabalha, com um contrato válido, e chega ao fim do mês sem ver a cor do dinheiro. Esses, os que andam lá dentro a correr atrás de uma bola (ou a dirigir as equipas) e por vezes não sabem como honrar os seus compromissos devido aos erros e mentiras alheias, continuam a ser o melhor e o mais importante do basquetebol.

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