O vosso querido amigo Cristiano
Segunda-feira é a entrega da Bola de Ouro e, se não houver qualquer estranha surpresa, o Cristiano Ronaldo ganhará o troféu pela terceira vez. Repito “qualquer surpresa”, porque todos sabemos que se o prémio dependesse do presidente da FIFA, Joseph Blatter, ou do presidente da UEFA, Michel Platini, o Cristiano nunca teria erguido uma única Bola de Ouro. O que aconteceu no ano passado serve, aliás, de exemplo. Ambos demonstraram que detestam o nosso craque. Nunca poderei esquecer aquelas vergonhosas frases do máximo responsável do futebol mundial: “O outro parece um comandante, o outro gasta mais dinheiro em cabeleireiros…” À parte da tremenda falta de respeito para com o português, demonstrou, com aquelas declarações, a perseguição e o pouco carinho que tem para como o nosso jogador.
Mas Platini foi protagonista de algo mais grave. Posso entender que o sr. Blatter não goste do Cristiano e que, por muitos jogos que veja, continue a nada perceber de futebol. As atitudes de Platini, um dos melhores jogadores de futebol de sempre, são muito mais difíceis de compreender. Nunca está a favor do Cristiano. Recordo-me do episódio do ano passado, quando Ribéry disse que a sua esposa já tinha escolhido um lugar em cima da lareira para colocar a Bola Ouro. Ele estava muito convencido do que afirmava... Tanta confiança só podia existir porque alguém lhe sussurrara algo. O jogador do Bayern Munique não é estúpido para produzir uma declaração deste teor. Como todos sabemos, o prémio foi ganho pelo Cristiano, mas, depois da gala, Platini disse estar muito dececionado por causa de Ribéry.
Naquele dia houve justiça, a Bola de Ouro foi conquistada pelo melhor e Platini, como um homem conhecedor do futebol e na qualidade de presidente da UEFA, devia ter ficado satisfeito pelo facto de o prémio ter sido ganho por quem mais o merecia. Mas não. Ele ficou dececionado porque o Ribéry não foi contemplado naquele dia. Dececionado com quem? Quem falhou a Michel naquele dia?
Quanto ao prémio de segunda-feira, temos três nomeados: Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e o alemão Manuel Neuer, enquanto Platini continua no seu caminho: sempre contra Cristiano. Nos últimos tempos a frase que mais disse foi mesmo: “Quem tem de ganhar a Bola de Ouro este ano é um alemão, porque os alemães conquistaram o Mundial.” Estas declarações, produzidas pelo presidente da UEFA, teriam toda a lógica se ele tivesse protagonizado atitude idêntica para com os jogadores espanhóis, quando estes venceram o Mundial da África do Sul. Por que é que o sr. Platini diz agora que quem tem de ganhar o prémio é um alemão e não disse, em 2010, que os favoritos deveriam ter sido Iniesta, Xavi ou Iker Casillas?
Com estas atitudes do francês entendo perfeitamente Cristiano Ronaldo, quando evitou cumprimentá-lo, em Marrocos, após o Mundial de Clubes. Para uma pessoa com a personalidade do nosso craque, um anti-hipocrisia, ter de cumprimentar e falar com o sr. Blatter e com o sr. Platini é certamente um autêntico pesadelo.
No meio de tudo isto, há que sublinhar, por outro lado, que o Cristiano fez o melhor ano da sua carreira como profissional. À parte de conseguir a Champions League, Supertaça Europeia, Taça do Rei, Bota de Ouro, o recorde de máximo goleador numa edição da Liga dos Campeões e máximo goleador da liga espanhola, hoje é também o melhor marcador do campeonato do país vizinho, com 26 golos. Sr. Blatter e sr. Platini: sinto muito pelos dois, mas, segunda-feira depois da gala, vão estar novamente muito tristes e dececionados, porque mais do que nunca só pode haver um vencedor. Esse vencedor é o vosso querido amigo Cristiano Ronaldo!
GRANDE CALDEIRADA
Carles Puyol
Depois da derrota do Barcelona na semana passada e dos rumores que existiam nas últimas semanas sobre Zubizarreta, dando conta que o antigo guarda-redes tinha os dias contados como diretor desportivo dos culés, ninguém foi apanhado desprevenido, na última segunda-feira, com o epílogo desta história. Mas a grande surpresa está no comunicado que fez o seu adjunto, Carles Puyol, que deixou o Barcelona depois tantos anos ligado ao clube. Tudo apontava para que o mítico defesa-central se tornasse no diretor desportivo do Barcelona. Foi uma grande perda para os catalães.
NÓS LÁ FORA
Treinadores portugueses
O treinador português Nuno Espírito Santo venceu, no passado fim de semana, o Real Madrid, por 2-1, no Mestalla. Foi mais uma prova da grande temporada que o português está a realizar. Já Vítor Pereira assinou pelos gregos do Olympiacos, o que constitui, sem dúvida nenhuma, mais outra prova da credibilidade dos treinadores portugueses. Boa sorte amigo!
DO MEU ÁLBUM
Malditos oito pontos
Sabendo que segunda-feira é a entrega da Bola de Ouro, todos os anos me recordo da época em que fui Bola de Prata. Um jornalista português acabou por votar no Ruud Gullit e eu fiquei a apenas a oito pontos de vencer o prémio máximo. É algo que nunca me sairá da cabeça!
