O voto do futebol
O ato eleitoral que hoje decorre, com os portugueses a exercerem o seu direito de voto (ou será dever?), está 'encaixado' entre uma semana de Champions League e Liga Europa e outra jornada dupla de apuramento para o Euro'2016, o que fez com que fosse impossível fazer com que os clubes que participaram nas competições europeias e que mais jogadores cedem para os compromissos das seleções, jogassem noutro dia que não fosse hoje.
Perante esta realidade, imediatamente se levantaram críticas contra a FPF e a Liga que, supostamente, não deviam (não podiam!) permitir uma coisa destas. Como se não bastasse o 'enxovalho' de que tantas vezes o desporto-rei é alvo por parte de diversos quadrantes políticos, só faltava mesmo catalogar o futebol como responsável pela pouca afluência às urnas. Para os menos atentos, fica um detalhe: em 2005 (sem futebol) a taxa de abstenção nas legislativas foi acima de 35%, em 2009 (novamente sem futebol) ultrapassou os 39% e em 2011 (pasme-se, sem futebol) foi superior a 41%.
Se voltar a aumentar em 2015 será a confirmação de uma tendência, não uma consequência de haver jogos em dia de eleições. Haja coerência quando se fala de uma modalidade que tanto tem dado ao país, que tanto faz pelos jovens, que tantas alegrias dá àqueles que hoje, espero eu, irão exercer o seu direito. A classe política tem que perceber que o futebol não serve apenas para aparecerem nas fotos nos momentos de glória. Dito isto, aqui fica o meu apelo aos portugueses: faça chuva ou sol, frio ou calor, aproveitem este domingo para ir à bola e para votar! Não necessariamente por esta ordem...
