Obrigação portista
Várias vezes tenho aqui escrito sobre a gestão do Futebol Clube do Porto, e da sua SAD, como a que tem melhor currículo entre os clubes em Portugal.
Porque “inventou” um modelo de negócio, que o Benfica depois seguiu e o Sporting tenta iniciar, baseado em contratação de jovens que valoriza e revende com lucro. Porque é profissional em todos os segmentos, da equipa de futebol aos aspetos mais invisíveis. E pela gestão financeira.
A emissão de obrigações desta semana é o resultado dessa gestão. O que o Porto propôs foi um grande negócio aos obrigacionistas: pediu-lhes emprestados 30 milhões de euros a dois anos e cinco meses, contra uma taxa anual (bruta) de 8,25%. Sim, é um excelente negócio para quem empresta. Desde que acredite que o Porto pagará tudo. E, portanto, desde que o Porto saiba gerir esse dinheiro, gerando uma rendibilidade pelo menos de 8,25%.
A adesão foi enorme, com uma procura mais de cinco vezes superior ao valor pretendido, o que obrigou a rateio. Mais importante do que isso, houve uma adesão de muitos investidores, num total de 7.649, a maioria dos quais investiu montantes relativamente pequenos. Foi um negócio sobretudo de pequenos investidores.
Esta adesão não pode ter acontecido apenas por causa da taxa de juro. Hoje, os portugueses, mais do que qualquer outro povo, têm a noção do risco de dívidas não serem pagas. Por isso, a adesão a este empréstimo reflete também a credibilidade do Porto junto dos investidores. E essa credibilidade não vem apenas do nome Porto, vem do currículo da sua gestão profissional.
Nos mercados, a reputação vale mais que uma taxa de juro. E a reputação do Porto é, como se vê, boa. Sobra agora a exigência de os administradores saberem investir ainda melhor o dinheiro que lhes emprestaram.
