Open fecha
Faz agora quatro anos, escrevi um texto aqui na última página do Record chamado “A queda de Lagos”. Era um texto sobre a falência da empresa de João Lagos, que no próprio dia convocou uma conferência de imprensa para me insultar, nisso simulando que era falsa a sua desventura. Ele juntou-me à galeria de inimigos dele, coisa que não sou, mas é um lugar onde não me incomoda muito estar.
Mentiroso, invejoso, maledicente e pessoa que arrasta o país para o chão (!) – estes foram alguns dos insultos que me foram dirigidos. Quem reler o texto (ele está disponível online) verá que elogio João Lagos pelo que fez pela promoção do desporto em Portugal e de Portugal no desporto mundial (uma opinião); que ele estava falido (um facto documentado); e que ele tinha sido apoiado durante muito tempo pelo Banco Espírito Santo e pelo Estado, através do Instituto do Turismo (facto), muitas vezes sem que se percebesse porquê (opinião). Não me dá prazer algum ver uma empresa quebrar, mas quando assim é não faço de conta que ela não quebrou, nem que ela foi bem gerida. Lamento, sou jornalista, trato por igual o que corre bem, trato por igual o que corre mal.
A João Lagos Sport correu muito bem primeiro e depois correu muito mal. O BES apoiou ainda mais algum tempo e depois a Caixa Geral de Depósitos ainda aguentou outro tempo o Estoril Open, depois renomeado Portugal Open para justificar o apoio de Paulo Portas. Esta semana foi anunciado o fim da maior competição de ténis em Portugal, por falta de apoios financeiros (talvez não seja coincidência acontecer no mesmo ano da queda do poder dos Espírito Santo).
A coisas são o que são, não o que gostaríamos que fossem. Eu gostaria muito de ver João Lagos singrar de novo. Espero, de verdade, que assim volte a ser. Com boas ideias. E boas contas.
