Órfãos de Veiga?

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O triste espectáculo protagonizado por Luisão e Katsouranis, em Setúbal, continua na ordem do dia, até porque parece que o grego terá dificuldades em recuperar a posição de destaque que detinha na equipa.

Tenho lido e ouvido muita gente dizer que o incidente - verdadeiramente vergonhoso - não teria tido lugar se José Veiga continuasse a trabalhar no clube da Luz. Outros, mais comedidos e menos dados a elogiar o ex-amigo de Luís Filipe Vieira, defendem que jamais aconteceria se as águias tivessem alguém a desempenhar o cargo de director desportivo. Tenho dúvidas... Muitas.

Não há ninguém no Mundo que possa garantir que, no seu grupo (seja ele uma equipa de futebol, uma empresa ou uma escola), jamais acontecerão problemas, pois é impossível controlar, por antecipação, as reacções emotivas de vários indivíduos. Concordo, naturalmente, que existem pessoas, por esta ou aquela razão, mais talhadas para assegurar a estabilidade de um colectivo extenso, mas dizer-se que fulano ou beltrano impediriam determinados "choques" é... conversa.

Na Luz, durante a gestão de Veiga, Luisão deixou Karagounis a sangrar e Anderson pontapeou Miccoli. Será que aquando desses "duelos", também faltava um director desportivo aos encarnados?

E não se pense que isto é um problema apenas do Benfica. Em Alvalade, durante o "consulado" do agora demissionário Carlos Freitas (tão elogiado por dirigentes e técnicos leoninos), Beto e Custódio não trocaram uns "mimos"? E Rochemback não mandou Peseiro não sei para onde? Jardel não pisou o risco vezes sem conta? E Liedson, Polga e Paredes nunca chegaram atrasados após as férias? E na Madeira, recentemente, Liedson e Vukcevic não estiveram "cabeça com cabeça"?

Até no FC Porto, onde existe a ideia de uma disciplina férrea, surgem, de vez a vez, episódios sombrios. Lembro-me da querela entre Mourinho e Baía; os problemas com Diego, Fabiano e Bruno Moraes ou as recentes palavras menos delicadas de Bosingwa em relação a Jesualdo.

É verdade que a cena de Luisão e Katsouranis, durante um jogo transmitido pela televisão, teve um impacto maior, mas escamotear que actos de indisciplina acontecem em todos os lados, com ou sem Veiga e outros directores desportivos, não me parece adequado.

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