Os amigos Veiga e Vieira
As trocas de "piropos" entre José Veiga e Luís Filipe Vieira não páram. E tendo em conta os últimos dias, esta confrontação de ideias (em linguagem popular pode ler-se "peixeirada") ameaça tornar-se uma das novelas do novo ano.
Tudo o que de errado acontece no futebol encarnado merece, de imediato, uma análise de Veiga que, invariavelmente, chega à conclusão que Vieira é o culpado. Dos maus resultados, da instabilidade do conjunto, do fraco rendimento ofensivo, das substituições, das aquisições feitas ou só tentadas ou sonhadas. Veiga, sem hesitações, até considera que o incidente entre Luisão e Katsouranis, em Setúbal, é responsabilidade do presidente.
Para mim, José Veiga anda obcecado com Luís Filipe Vieira. Da mesma forma que o líder do Benfica anda, há muito, obcecado com o "Apito Dourado".
Veiga e Vieira, que passaram anos a bajular-se mutuamente, não se devem poder ver hoje em dia. Pelo menos, é essa a interpretação mais óbvia das várias declarações com que nos têm presenteado. Sempre considerei circunstanciais as palavras de outrora. Aceito que se diga que os dois já foram aliados (essencialmente interessados em beliscar Pinto da Costa), mas amigos... não!
Veiga tem razão em algumas críticas que aponta a Vieira. Mas, independentemente disso, não lhe fica bem passar a vida a meter-se na vida de um clube que, quer queira ou não, apenas lhe disse respeito enquanto profissional. Veiga não era, nem é (embora por vezes se esqueça disso) benfiquista. Quem tem de analisar as atitudes do presidente - e penalizá-lo se assim entender - não é ele, mas sim os milhares de associados do clube. Ter opiniões e divulgá-las, uma ou outra vez, até se pode aceitar, mas não resistir a falar sempre que acontece algo no futebol encarnado é um exagero. E ele, já se sabe, também não é propriamente bem recordado por muita gente no balneário.
Para Veiga, Vieira só esteve bem enquanto o manteve na Luz. Nesse período, era um amigo, um homem repleto de qualidades, um gestor brilhante, etc, etc. Agora, é só mais um que não entende nada de futebol.
O mais engraçado é que eles deviam ser mesmo amigos, pois coisas em comum não lhes faltam: não possuem o dom da palavra, embora passem a vida a falar; souberam subir na vida; tornaram-se protagonistas no mundo do futebol embora o seu passado esteja mais relacionado com o ramo automóvel; foram grandes amigos de Pinto da Costa e hoje odeiam-no; já tiveram as autoridades a remexer em algumas das suas operações futebolísticas e chegaram a altos cargos na Luz (após "aquecimento" em clubes de menor expressão) depois de serem presença assídua nas Antas.
Um amigo meu não hesita em dizer que são farinha do mesmo saco. Não faço ideia, mas admito que têm as suas semelhanças...
