Os erros de Vieira e a inocência de Santos

Adicione como fonte preferencial no Google

A passagem de Fernando Santos pelo Benfica terminou como começou: cinzenta. O técnico, pese o reconhecido benfiquismo e profissionalismo, nunca caiu no goto de sócios e simpatizantes que, antecipadamente, "mediram" as virtudes e defeitos do treinador através do seu desempenho nos rivais FC Porto e Sporting.

Só Santos e Vieira, a fazer fé no que foram dizendo ao longo do tempo, pareciam acreditar que esta opção iria trazer frutos. Enganaram-se. Pior que isso: deram razão a milhares e milhares de pessoas que jamais conseguiram entusiasmar-se com o futebol praticado pela equipa; com os resultados; com as declarações de ocasião aquando das derrotas e empates (e não foram poucos...); com a política de aquisições; com a lista de dispensas (o caso de Diego é flagrante); com as opções tácticas; com as substituições e, claro, com o ar desesperado do técnico no banco que, por vezes, mais parecia uma cadeira eléctrica, tal o seu ar de terror.

Já li que Santos ficou surpreendido com a saída. Lembro-me também que, há tempos, ainda garantia que andaria aos ombros dos adeptos. Custa-me a acreditar que tenho falado de forma sentida em ambas as ocasiões. Será que só o principal visado em todo este processo não conseguia ver que a sua equipa pouco jogava? Há declarações que os responsáveis são "obrigados" a fazer, mas não era preciso exagerar! Levado aos ombros? Como afirmou um amigo meu na altura... "só se for para ir dali para fora".

Volto a frisar que Santos me parece uma pessoa honestíssima. Mas, seja no futebol ou em qualquer outra área profissional, não basta gostar do que se faz, ir trabalhar todos os dias e refugiar-se em declarações politicamente correctas. É preciso apresentar resultados. E Santos, convenhamos, deixou esse aspecto de lado. E falar nas conquistas no Guadiana ou no Dubai até parece anedota.

Mas, neste adeus há muito anunciado é preciso salientar que Santos não foi o único culpado. O primeiro e principal foi o presidente. Foi Vieira que, numa escolha pessoal, "inventou" esta solução técnica e foi igualmente o líder que, no final da temporada passada, não descobriu razões suficientes para alterar o quadro. Pensava que as coisas iriam mudar? Duvido, até porque para que isso fosse possível as condições essencais seriam comprar bons jogadores (o que só sucedeu parcialmente) e não deixar sair Simão e Manuel Fernandes.

Vieira patrocinou um quadro complicado e tornou-o mais difícil ao não conseguir segurar peças importantes. E demonstrou também que já aprendeu a velha máxima futebolística de que a mentira de hoje pode ser verdade amanhã ou vice-versa. Para quem sempre disse que o técnico iria cumprir o contrato... mudou de opinião depressa. Mas, até entendo, a sua própria margem de acção junto dos sócios não é ilimitada.

Mas, tudo isso agora é passado. Camacho aí está e novo "camião" de aquisições é esperado a qualquer momento para alimentar o sonho do povo. O problema é que a época já começou; alguns erros não têm solução; a entrada na Liga dos Campeões está tremida e a Liga começou, tal como o ano passado, com as águias a deslizarem no Bessa...

PS - A Selecção vai jogar na Arménia e Scolari diz que a qualificação passa por uma vitória nessa longínqua nação. Estou feliz. A conversa de que empatar fora é bom já acabou. Ou pelo menos foi interrompida...

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade