Os luxos exóticos de Quintero

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Os luxos exóticos de Quintero
Os luxos exóticos de Quintero

O colombiano é um jogador de equipa e um génio que marca a diferença pelo que pensa e executa. Desde Deco que o FC Porto não tinha um mágico assim. Já lá vai quase uma década

1 A história do futebol está carregada de casos que nos alertam para a verdade essencial de que os guerreiros obedientes e disponíveis são um ponto de apoio seguro para os treinadores; oferecem elementos concretos como luta, entrega e músculo, ao contrário dos mais virtuosos, cuja oferta, sendo mais valiosa e decisiva, é também mais contingente. Muitas equipas manifestam tendências repressivas sobre a intuição, inibem a liberdade criativa e transformam a vida dos mais talentosos num verdadeiro inferno – opção que em Portugal tem diminuído com o tempo, convém acrescentar. Quintero é a nova aposta do FC Porto, uma daquelas equipas cujo passado mais ou menos recente confirma estar ciente de que dar a bola ao adversário desvaloriza os futebolistas.

2 Jogador de vistas largas e toque virtuoso; artista dos luxos mais exóticos, que alia precisão à magia e eficácia aos truques de ilusionismo que promove sem hora marcada, um pouco por todo o lado, Quintero está em fase de reconhecimento e adaptação às regras e ao estilo azul e branco, assente nos pressupostos da infinita inspiração que o acompanha. Numa perspetiva tática e ideológica foi parar ao clube certo, porque se cruzou com um treinador jovem, corajoso e de vistas largas como é Paulo Fonseca, numa equipa que tem depurado ao longo dos anos um sistema de posse e ataque organizado pronto a assimilar um maestro com as suas características. A versão 2013/14 dos campeões nacionais tem espaço para quem seja capaz de alterar o guião previsto à custa de sucessivos golpes de imaginação.

3 Aos 20 anos, a nova estrela do Dragão será alvo da habitual desconfiança que a juventude é sempre suscetível de gerar. A esse nível, Quintero é uma incógnita que ainda pode ficar fora de controlo, porque é vulgar estes miúdos de talento sublime terem confiança insolente no seu potencial e julgarem-se os donos do Mundo. Não parece ser o caso. Paulo Fonseca já esclareceu que autoriza a livre expressão do seu geniozinho, desde que cumpra as obrigações como elemento da equipa. Disse um dia Pacho Maturana, histórico treinador colombiano, que “o futebol é uma combinação de organização coletiva e de exaltação da capacidade individual”. Reconhecendo razão ao Sacchi dos trópicos, como é ainda hoje conhecido, o futebol é Juan Quintero.

4 Quintero está colocado perante a dificuldade suprema de integrar o departamento de uma grande equipa com lugares ocupados e, ainda mais importante, com comando perfeitamente definido (Lucho González). Por ser muito jovem, teria sempre de convencer os companheiros de que transporta soluções para guiá-los, por mais tormentosa que seja a viagem; que tem condições para cumprir o senso comum com perfeição e acrescentar-lhe o génio das soluções imprevistas e personalizadas; que está apetrechado com argumentos de liderança, critério e distribuição para pôr a fábrica a funcionar e ser o lubrificador da máquina, correndo o risco de se transformar numa peça solta da engrenagem. É um jogador de equipa e um génio que marca a diferença pelo que pensa e executa. Desde Deco que o FC Porto não tinha um mágico assim. Já lá vai quase uma década.

Leão derruba por insistência

O mais impressionante na equipa de Leonardo Jardim não tem sido tanto a excelência do futebol ou a expressão sublime do talento individual que lhe dá forma; é a capacidade para derrubar os obstáculos por insistência, como se os 11 leões que estão em campo fossem empurrados por ventos de uma levitação coletiva com epicentro no banco e nas bancadas cada vez mais pintadas de verde e branco. Ninguém pode afirmar em setembro que o Sporting vai ser campeão nacional; mas negligenciar, à partida, uma equipa tão forte, empolgada e fascinante pode ser grave erro de avaliação.

Uma promessa de amor eterno

O Real Madrid não faz mais do que a obrigação para com o seu melhor jogador das últimas quatro décadas – despendeu 94 milhões e Cristiano cometeu a loucura impensável de justificar a fortuna que pagaram por ele. Acertadas as contas com o passado, os merengues manifestam agora, ao conferir-lhe o estatuto de futebolista mais bem pago do Mundo, a certeza de que CR7 continua a dar ao clube aquilo que nenhum outro oferece. Por fim, um contrato milionário até 2018, ou seja, até aos 33 anos do astro-rei, é uma extraordinária prova de confiança que soa a jura de amor eterno.

A coerência e a credibilidade

Baiano foi bem expulso mas a grande penalidade a favor do Estoril não existiu – a falta sobre Evandro foi cometida fora da grande área. Mais tarde cometeu erro semelhante ao expulsar Yohan Tavares, que travou Éder em falta outra vez fora da área. A coerência é um valor importante na avaliação ao trabalho de qualquer árbitro, porque identifica um estilo, confere um modo uniforme de entender o jogo e mostra a indispensável imparcialidade. O pior é quando essa linha conduz à reincidência de falhas. Aí chegado, dificilmente o juiz escapa ileso à espiral de disparates que lhe minam a credibilidade.

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