Os ordenados das estrelas
A folha de ordenados da equipa de futebol do Sporting deixou de ser “segredo de Estado”. E embora muita gente considere de mau gosto a publicação da lista, creio que o assunto é relevante e constitui um “furo” jornalístico significativo. A prova disso é que, nos últimos dias, este tem sido um dos principais temas de conversa para os adeptos do futebol. E não apenas entre sportinguistas.
Faço questão de assumir que não vivo melhor ou pior por saber que Nani aufere uns “míseros” euros quando comparado com o argentino Romagnoli ou por agora ter a certeza que Liedson é mesmo o mais bem pago do plantel. Mais: não invejo os futebolistas (os do Sporting ou outros) por receberem mensalmente verbas astronómicas se tivermos em atenção a média da nação ou o ordenado mínimo praticado por cá. Gostava, claro, é que todos os portugueses (eu incluído) pudessem auferir somas similares. Só que isso é impossível. Logo, entendo que tantos ordenados tão avultados só possam ser pagos em profissões que geram igualmente receitas chorudas. É o caso do futebol, embora o negócio já tenha conhecido dias mais prósperos.
Num País onde muitos se preocupam mais com a vida alheia do que com a própria, o aparecimento público dos salários de determinadas figuras – desportistas ou não – só podia originar tanta agitação. Ainda assim, continuo sem perceber o porquê do melindre denotado por Filipe Soares Franco. O Sporting só paga o que pode e quer a determinado atleta. Já os desportistas também só assinam os vínculos que consideram justos. Nesta relação, marcada por contratos de duração limitada, nunca ninguém deveria dizer-se insatisfeito. Entidade empregadora e trabalhador só têm é de cumprir o que acordaram.
É evidente que os clubes, depois de estabelecerem um contrato com um jogador, podem chegar à conclusão que o atleta não faz falta ou recebe muito face ao seu valor. Isso é um perigo real, mas quando ocorre só revela falta de lucidez e/ou perspicácia de técnicos e dirigentes. Por outras palavras: apostaram nos “cavalos errados”. A solução passa por honrar os compromissos e tentar ter mais “olho” nas próximas opções.
Do lado dos atletas a abordagem tem de ser a mesma. Recebendo muito ou pouco, ganham aquilo que está determinado nos contratos. E a menos que tenham sido vítimas de um qualquer esquema fraudulento, não deviam sequer pensar em queixar-se de algo que assinaram por considerarem estar a tomar a melhor opção. É natural que gostem de ver reconhecido o seu desempenho através de melhores condições financeiras, mas convém ter presente que nada obriga os clubes a rever os contratos antes de eles terminarem.
Sobre este assunto, gostava ainda de dar o exemplo praticado nas várias ligas profissionais dos Estados Unidos. Os ordenados de todos os intervenientes são do conhecimento público. Estão à vista de todos em dezenas de sites. E ninguém se preocupa com isso. E dessa forma até as Finanças podem controlar melhor as entradas e saídas de verbas dos clubes. Esse modelo aplicado em Portugal era capaz de tornar mais claras determinadas situações, mas desconfio que muita gente não veja isso com bons olhos…
PS – Em mais um episódio da novela criada em torno do último Leiria-Sporting, Paulo Bento defendeu que tanto Liedson como Rossato deviam ter sido expulsos. Será que agora Filipe Soares Franco já concorda com o vermelho mostrado ao avançado ou continua a considerar que não existiu intenção do dianteiro em agredir o compatriota?
