Os passeios de Vieira

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Muitos passeios pelo centro de estágios do Seixal terá Vieira de dar com Rui Vitória se quiser fazer do técnico que escolheu um profissional capaz de rivalizar com Jesus. Mas não bastarão as palavras sábias do presidente para se operar a transformação num líder que, a perder 3-0, ao intervalo, tira um defesa-esquerdo para lançar um trinco. 

Vieira terá também de olhar para o plantel e verificar que, nos anos de Jesus, nunca o campo de escolhas foi tão reduzido como está para Rui Vitória. Desde logo nas laterais da defesa, o Benfica não tem soluções para impedimentos dos titulares. Também no centro da defesa a qualidade não abunda. Nas alas ofensivas, só Gaitán garante qualidade acima da média, embora Gonçalo Guedes prometa bons anos futuros. Se Rui Vitória tivesse a ousadia de colocar Gaitán a pensar o futebol da equipa, pelo centro, quem poderia substituir o argentino na ala? Ninguém. 

As más opções de Rui Vitória são muito condicionadas pelo material humano que tem à disposição. Escasso, pouco criativo. Depois de dois anos de sucessos internos, Vieira decidiu privilegiar o saneamento financeiro da SAD. Mas a poupança foi excessiva para um ano em que o Benfica não pode perder balanço no caminho para um novo ciclo de hegemonia no futebol português. E em que perder com o Sporting é perder com Jesus. O treinador com que Vieira dava grandes passeios pela manhã, levando cada um deles a água aos seus respetivos moinhos. 

Essa química natural entre dois homens do povo dificilmente surgirá com Rui Vitória. Mais académico, mas muito menos intuitivo que Jorge Jesus. 

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